Pesquisadores da startup Wasi Biotech, com apoio do Governo do Tocantins por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) no Programa Centelha 2 TO, criaram uma solução tecnológica voltada para o controle do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya.

O projeto é liderado pelo professor e pesquisador doutor Walmirton D’Alessandro e emprega impressoras 3D para produzir dispositivos capazes de atrair mosquitos e contaminá-los com um fungo. “Com o design pronto e o arquivo do produto, qualquer local que tenha uma impressora 3D pode produzir o dispositivo, sem necessidade de transporte físico”, explicou o pesquisador. Ao entrar em contato com o fungo presente no equipamento, o mosquito se infecta e pode transmitir o agente para outros indivíduos, reduzindo gradativamente a população do vetor.

Segundo a equipe, a tecnologia permite que o dispositivo seja produzido localmente a partir de arquivos digitais, reduzindo custos logísticos e possibilitando a replicação da solução em diferentes regiões. Além da funcionalidade, o dispositivo foi planejado para ter um design discreto e esteticamente aceito, podendo ser instalado em residências, espaços públicos ou instituições.

O dispositivo também apresenta recursos de monitoramento, podendo emitir sinais via Sistema Global para Comunicações Móveis (GSM). Isso possibilita a coleta de dados como temperatura, umidade, pressão atmosférica e localização, contribuindo para a criação de um observatório digital que apoie a vigilância em saúde. As informações podem auxiliar gestores públicos na tomada de decisões e na definição de estratégias de combate às arboviroses.

O modelo de atuação do projeto é prioritariamente Business to Government (B2G), direcionado para parcerias com governos e secretarias de saúde.

Etapas do projeto e municípios contemplados

O projeto está na fase final do Programa Centelha 2, com a segunda versão do dispositivo concluída e aprimorada em atratividade e funcionalidade. Os testes iniciais confirmaram a eficácia do fungo utilizado, e os próximos passos incluem a validação do equipamento em campo, considerando as condições climáticas do Tocantins.

O piloto foi iniciado em Paraíso do Tocantins, com previsão de expansão para Palmas, Gurupi e outros municípios, conforme o fortalecimento das parcerias institucionais.

Educação e engajamento da comunidade

Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto investe em educação científica e comunicação acessível, incluindo materiais lúdicos voltados para crianças e famílias, com o objetivo de explicar de forma clara o funcionamento do dispositivo e seu papel na proteção da saúde. “Não adianta ter uma tecnologia complexa se a população não entende. A gente precisa falar a linguagem das pessoas”, destacou o professor doutor Walmirton D’Alessandro.

Equipe multidisciplinar

O projeto envolve pesquisadores e profissionais de diferentes áreas. Walmirton D’Alessandro responde pela gestão administrativa da startup. O professor mestre Ivo Sócrates Moraes contribui na aplicação da tecnologia ao dispositivo, enquanto a professora mestre Sávia Herrera atua na área de mercado. Iago Figueiredo desenvolve diferentes designs dos dispositivos, e a professora doutora Aline D’Alessandro realiza estudos epidemiológicos sobre a doença nas regiões atendidas.

Programa Centelha e estímulo à inovação

O coordenador ressaltou a importância do Programa Centelha para a concretização do projeto. “O Centelha foi um divisor de águas. Ele me deu condições de transformar a pesquisa em inovação, captar recursos e levar esse conhecimento para a comunidade”, afirmou. A iniciativa tem se destacado no Tocantins por estimular inovação, empreendedorismo e pesquisa aplicada, conectando universidades, governo e sociedade.

Inscrições abertas para novas ideias

Pesquisadores, professores, estudantes e empreendedores que desejam transformar ideias em negócios de base tecnológica podem participar do Programa Centelha Tocantins. As inscrições foram prorrogadas até 30 de janeiro, permitindo submissão de propostas de soluções inovadoras. O edital completo está disponível para consulta.

A iniciativa é realizada pelo Governo do Tocantins, por meio da Fapt, com a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) como interveniente, e é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com participação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação Certi.