Tocantins ocupa 15ª posição no ranking nacional de renda média do trabalho, aponta IBGE
11 maio 2026 às 17h20

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O rendimento médio do trabalho no Tocantins foi de R$ 3.129 por mês em 2025, segundo dados da Pnad Contínua divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O valor ficou abaixo da média nacional, estimada em R$ 3.560, e colocou o estado na 15ª posição entre as unidades da federação no ranking de renda média do país.
O levantamento considera o rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos, incluindo atividades formais e informais nos setores público e privado. Os dados fazem parte de um módulo anual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua divulgado nesta sexta-feira, 8.
Entre os estados brasileiros, o maior rendimento médio foi registrado no Distrito Federal, com R$ 6.320 mensais. Já o menor valor foi identificado no Maranhão, com R$ 2.228. O rendimento do Distrito Federal superou em mais de duas vezes o registrado em 14 estados, entre eles o Tocantins.
No ranking nacional, o Tocantins ficou atrás de estados como Goiás (R$ 3.628), Mato Grosso (R$ 3.688) e Mato Grosso do Sul (R$ 3.727), mas acima de unidades da federação como Rio Grande do Norte (R$ 3.003), Sergipe (R$ 2.855) e Amazonas (R$ 2.733).
A pesquisa também apresentou dados sobre desigualdade de renda do trabalho nas unidades da federação. No Tocantins, o índice de Gini foi de 0,452 em 2025. O indicador mede a concentração de renda e varia de 0, que representa igualdade máxima, a 1, que indica desigualdade máxima.
O índice registrado no estado ficou abaixo da média nacional, de 0,491. Entre as unidades da federação, o maior índice foi observado no Distrito Federal, com 0,557, enquanto Santa Catarina apresentou o menor nível de desigualdade, com 0,406.
Segundo o pesquisador André Salata, a estrutura ocupacional do Distrito Federal influencia diretamente os resultados registrados na capital federal. “A estrutura ocupacional do Distrito Federal gera um cenário em que a renda média é alta, porque o setor público de elite paga muito bem, mas ao mesmo tempo a desigualdade é muito alta também”, diz o pesquisador André Salata, coordenador do laboratório de estudos PUCRS Data Social.
“Tem um desequilíbrio entre setor público de elite e massa de trabalhadores de serviços pouco qualificados, pouco especializados”, acrescenta.
O economista Rodolpho Sartori também relaciona os números do Distrito Federal à composição do funcionalismo público. “Quando você olha para dentro do Distrito Federal, tem uma desigualdade muito grande.”
Já o economista Daniel Duque afirmou que algumas funções no setor público federal apresentam remuneração acima da iniciativa privada. “A gente não costuma ver no setor privado, por exemplo, uma pessoa como auxiliar administrativa ganhando R$ 5.000, R$ 6.000. São salários normais no funcionalismo federal, mas não encontram par no setor privado”, afirma Duque.
Outra versão trimestral da Pnad Contínua, divulgada anteriormente pelo IBGE, mostrou que os empregados do setor público no Distrito Federal tiveram renda média de quase R$ 12,6 mil no quarto trimestre de 2025. No Brasil, a média foi de R$ 5.339 no mesmo período.
No setor privado, a renda média dos empregados com ou sem carteira no Distrito Federal foi estimada em R$ 3.716, acima da média nacional de R$ 3.088. Entre os trabalhadores com carteira assinada no setor privado, o rendimento médio foi de R$ 3.724 no DF, enquanto no Brasil ficou em R$ 3.263.
Renda média do trabalho nas unidades da federação em 2025
- Distrito Federal — R$ 6.320
- São Paulo — R$ 4.390
- Rio de Janeiro — R$ 4.177
- Santa Catarina — R$ 4.091
- Paraná — R$ 4.083
- Rio Grande do Sul — R$ 3.916
- Mato Grosso do Sul — R$ 3.727
- Mato Grosso — R$ 3.688
- Goiás — R$ 3.628
- Brasil — R$ 3.560
- Espírito Santo — R$ 3.497
- Roraima — R$ 3.438
- Rondônia — R$ 3.362
- Minas Gerais — R$ 3.350
- Tocantins — R$ 3.129
- Amapá — R$ 3.089
- Rio Grande do Norte — R$ 3.003
- Sergipe — R$ 2.855
- Acre — R$ 2.784
- Amazonas — R$ 2.733
- Pernambuco — R$ 2.686
- Paraíba — R$ 2.577
- Piauí — R$ 2.561
- Alagoas — R$ 2.531
- Pará — R$ 2.508
- Ceará — R$ 2.394
- Bahia — R$ 2.284
- Maranhão — R$ 2.228
Índice de desigualdade da renda do trabalho nas unidades da federação
- Distrito Federal — 0,557
- Piauí — 0,546
- Sergipe — 0,536
- Rio Grande do Norte — 0,530
- Rio de Janeiro — 0,526
- Paraíba — 0,519
- Maranhão — 0,514
- Pará — 0,509
- Ceará — 0,507
- Pernambuco — 0,502
- Alagoas — 0,491
- Brasil — 0,491
- Roraima — 0,487
- Amazonas — 0,485
- Bahia — 0,480
- São Paulo — 0,471
- Amapá — 0,471
- Minas Gerais — 0,463
- Paraná — 0,462
- Acre — 0,457
- Rio Grande do Sul — 0,454
- Espírito Santo — 0,454
- Tocantins — 0,452
- Goiás — 0,450
- Rondônia — 0,450
- Mato Grosso do Sul — 0,445
- Mato Grosso — 0,424
- Santa Catarina — 0,406
Com informações da Folha*
