O Tocantins encerrou o segundo bimestre de 2026 com resultado orçamentário positivo de R$ 1,66 bilhão, o equivalente a 32% da Receita Corrente Líquida (RCL), segundo dados do relatório “RREO em Foco”, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional. O percentual coloca o estado entre os melhores desempenhos do país nesse indicador.

Os números mostram que as receitas correntes do Estado somaram R$ 6,27 bilhões entre janeiro e abril deste ano, crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2025, quando o montante havia sido de R$ 5,85 bilhões. As despesas correntes alcançaram R$ 5,73 bilhões, avanço de 19% na comparação anual.

O relatório também aponta que o Tocantins manteve uma poupança corrente equivalente a 10,2% da RCL. O indicador mede a diferença entre receitas correntes e despesas correntes liquidadas e é utilizado para avaliar a capacidade de investimento com recursos próprios.

Dependência de transferências

De acordo com o Tesouro Nacional, 51% das receitas correntes do Tocantins tiveram origem em arrecadação própria, enquanto 49% vieram de transferências correntes. O percentual coloca o estado em posição intermediária no ranking nacional de dependência de recursos transferidos por outros entes federativos.

Resultado primário fica negativo

Apesar do superávit orçamentário, o Estado apresentou resultado primário negativo de R$ 270 milhões até abril. O indicador corresponde a -5% da Receita Corrente Líquida e considera receitas e despesas antes do pagamento de juros da dívida. Em 2025, o Tocantins havia registrado resultado primário positivo de R$ 340 milhões, equivalente a 7% da RCL.

Estrutura dos gastos

A maior parcela das despesas do governo estadual foi destinada ao pagamento de pessoal, que representou 49% da receita total. Os gastos de custeio corresponderam a 20%, enquanto os investimentos ficaram em 3% e os serviços da dívida em 8%.

Na distribuição por função de governo, a saúde concentrou 23% das despesas liquidadas, seguida por outras áreas administrativas e setoriais, com 25%, previdência social, com 15%, educação, com 12%, segurança pública, com 10%, administração, com 6%, Judiciário, com 6%, e transporte, com 4%.

Previdência e dívida

No Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), o Tocantins registrou resultado praticamente equilibrado no fundo financeiro, com déficit de R$ 630 mil, valor inferior a 1% da RCL. Já o fundo de capitalização apresentou resultado positivo de R$ 131,47 milhões, equivalente a 2% da RCL.

A dívida consolidada do Estado cresceu 28% em relação ao saldo existente em 31 de dezembro de 2025, uma das maiores variações registradas entre os estados brasileiros no período analisado.

Restos a pagar

O levantamento mostra ainda que o Tocantins quitou 53% dos restos a pagar inscritos até o fim de 2025.

Em relação às obrigações orçamentárias, o Estado havia pago, até abril, valor equivalente a 72% da receita total. Os restos a pagar liquidados e não pagos representavam 1% da receita, enquanto as despesas liquidadas ainda pendentes de pagamento correspondiam a 7%.

As obrigações financeiras pendentes somavam 8% da receita total, percentual abaixo de estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amazonas.