O Tocantins apareceu entre os estados com maior área sob alerta de desmatamento no Cerrado em 2025, mesmo em um cenário de redução nacional da devastação no bioma. Dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira, 9, apontam que o estado perdeu 1.133 km² de vegetação ao longo do ano passado, ficando atrás apenas do Maranhão e à frente do Piauí.

Apesar do volume elevado, o resultado acompanha a tendência de queda registrada no Cerrado como um todo. Em 2025, a área sob alerta de desmatamento no bioma foi de 5.369 km², o que representa uma redução de 9% em relação a 2024 e o menor índice desde 2021.

O Tocantins integra a região conhecida como Matopiba, formada ainda por Maranhão, Piauí e Bahia, que concentra simultaneamente uma das principais fronteiras do agronegócio e algumas das áreas mais preservadas do Cerrado. Juntos, esses quatro estados lideram o ranking de desmatamento no bioma.

No cenário nacional, este foi o segundo ano consecutivo de queda do desmatamento tanto no Cerrado quanto na Amazônia. Na floresta amazônica, os alertas totalizaram 3.817 km² em 2025, redução de 8,7% em relação ao ano anterior. Somados, os dois biomas perderam 9.186 km² de vegetação, área equivalente a cerca de seis vezes a cidade de São Paulo.

Segundo o Inpe, o Deter emite alertas em tempo quase real para orientar ações de fiscalização do Ibama e de outros órgãos ambientais. Os números, no entanto, representam um monitoramento preliminar. As taxas oficiais e consolidadas de desmatamento são divulgadas anualmente pelo sistema Prodes, também do Inpe.

Dinâmica do desmatamento no Cerrado

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a dinâmica do desmatamento no Cerrado difere da observada na Amazônia. No bioma, a maior parte da supressão vegetal ocorre em propriedades privadas, amparada pelo Código Florestal, que permite o desmate de até 80% da área do imóvel, percentual superior ao autorizado na Amazônia.

Em nota, a pasta afirma que intensificou o diálogo com os estados do Matopiba, com foco em cooperação técnica, aprimoramento dos processos de autorização de desmatamento e fortalecimento do monitoramento e da fiscalização, o que teria contribuído para a redução observada nos alertas.

Especialistas avaliam que a retomada da fiscalização federal e a articulação com governos estaduais têm impacto direto nos resultados. Para o geógrafo Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados, a queda registrada no bioma é resultado de um conjunto de medidas adotadas nos últimos anos.

Ele ressalta, porém, que os números seguem elevados. “Mesmo com a redução, o Cerrado continua perdendo milhares de quilômetros quadrados por ano, em um bioma que já teve mais da metade de sua área desmatada”, afirma.

Tendência nacional

Na Amazônia, o desmatamento em 2025 foi o menor registrado em oito anos, embora o ritmo de queda venha desacelerando desde 2023. Segundo o MMA, a redução mais modesta em parte de 2024 e 2025 está associada à seca extrema e ao aumento dos incêndios florestais, que elevaram os índices de degradação.

A pasta afirma que, a partir de agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando continuidade da tendência de queda.

Entre as ações citadas pelo governo federal estão a retomada dos investimentos do Fundo Amazônia, o reforço do orçamento para fiscalização ambiental e a implementação do programa União com Municípios, voltado ao desenvolvimento sustentável em áreas prioritárias.