A defesa de Daniel Vorcaro, dono do antigo banco Master, pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro, investigado por suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras.

No pedido, os advogados argumentam que os processos relacionados à Operação Compliance Zero estão paralisados após o ministro Flávio Dino pedir vista durante a sessão do plenário do STF, realizada em 15 de setembro. Na ocasião, os ministros discutiam a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a defesa, a suspensão do julgamento também afetou a tramitação dos procedimentos relacionados ao caso Master. Os processos foram encaminhados ao gabinete de Fachin pelo relator, ministro André Mendonça, em meio ao impasse sobre a condução das investigações.

Os advogados sustentam que Vorcaro não pode permanecer preso por tempo indeterminado enquanto o Supremo não define questões relacionadas à relatoria e à competência para conduzir o caso. A defesa afirma ainda que o ex-banqueiro está preso há mais de 90 dias sem que um recurso que pede sua liberdade tenha sido analisado pelo STF.

Em petição, os advogados afirmaram que a própria definição da relatoria e da competência para condução dos procedimentos foi colocada em discussão na sessão de 15 de setembro, mas o julgamento acabou suspenso após o pedido de vista.

Vorcaro está preso desde novembro de 2025. Atualmente, encontra-se no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade que abriga um pavilhão destinado a presos especiais, conhecido como Papudinha.

Entenda o caso

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas envolvendo o antigo banco Master e levou a uma disputa no STF sobre a condução das investigações.

O ministro André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo de um relatório que reúne mensagens que investigadores atribuem a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. A partir desse material, Mendonça levou ao plenário pedido para autorizar o prosseguimento de investigações envolvendo Moraes.

Moraes, por sua vez, divulgou um relatório de inteligência da Polícia Federal que aponta, segundo sua interpretação, possível direcionamento das investigações por Mendonça. O documento não é assinado nem possui timbre da PF e informa que as análises apresentadas não têm valor probatório.

Moraes também pediu que Mendonça seja investigado por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido chegou a ser incluído na pauta do plenário para 23 de setembro, mas foi retirado por Fachin. Até o momento, não há nova data definida para a análise.