A Polícia Civil do Tocantins concluiu o inquérito sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, ocorrida em 3 de agosto na região norte de Palmas, e apresentará na segunda-feira, 28, os resultados da investigação. Pai e madrasta da criança estão presos preventivamente. A coletiva está marcada para as 9 horas, no auditório da Delegacia-Geral.

Segundo comunicado divulgado pela corporação, o delegado da 1ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelo caso, detalhará o que foi constatado durante a apuração e explicará os crimes pelos quais os dois suspeitos foram indiciados. A Polícia Civil ainda não informou publicamente quais foram as imputações atribuídas a cada um na conclusão do inquérito.

A apresentação deve esclarecer pontos que permaneceram em aberto durante quase dois meses de investigação, principalmente a participação atribuída a cada um dos presos. Até então, a corporação tratava pai e madrasta publicamente como investigados e afirmava que as responsabilidades individuais ainda estavam sob apuração. Em setembro, o Ministério Público do Tocantins também informou que aguardava a conclusão do inquérito.

O pai de Gustavo, Igor Gustavo Veloso de Sousa, e a companheira, Kathellen Moreira, foram presos preventivamente poucos dias depois da morte. Na fase inicial, a Polícia Civil investigava os crimes de homicídio qualificado e tortura, mas ressaltava que o enquadramento jurídico definitivo dependeria da conclusão das diligências.

As primeiras informações apontavam para um possível afogamento. A investigação tomou outra direção depois da análise das circunstâncias da morte e das lesões encontradas no corpo da criança. A Polícia Civil passou a trabalhar com a hipótese de que Gustavo havia sofrido agressões antes de morrer.

Reportagens do Jornal Opção Tocantins mostraram que a apuração também reuniu informações sobre episódios anteriores. A mãe da criança, Sabrina Feitosa, relatou à polícia que Gustavo retornava machucado dos períodos de convivência com o pai desde 2024. Um vídeo apresentado durante a investigação também mostrava o menino relatando agressões.

A situação de Kathellen foi um dos pontos mantidos em apuração. Em agosto, o delegado responsável pelo caso afirmou que, naquele momento, não havia elementos que demonstrassem participação direta dela nas agressões. A polícia investigava, porém, eventual responsabilidade por omissão, sob o entendimento de que a madrasta exercia dever de cuidado durante o período em que Gustavo permanecia na residência.

Outro ponto analisado foi a natureza das lesões encontradas na criança. No começo do caso, houve repercussão sobre uma possível violência sexual. O delegado Eduardo Menezes afirmou, porém, que os elementos disponíveis naquela fase não indicavam motivação sexual com finalidade libidinosa e que as lesões eram examinadas no contexto das suspeitas de violência e tortura.