Antes de Dorinha, Amélio queria ser o candidato de Wanderlei; agora é vice na chapa de oposição
28 agosto 2026 às 09h55

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A estratégia de Vicentinho Júnior (PSDB) de assumir o discurso de oposição ao governo Wanderlei Barbosa (Republicanos) convive com uma questão dentro da própria chapa: seu candidato a vice, o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (MDB), passou os últimos dois anos na tentativa de ser justamente o candidato escolhido pelo grupo governista para suceder Wanderlei no Palácio Araguaia.
Até setembro do ano passado, Amélio estava entre os nomes do Republicanos que buscavam espaço para disputar o governo. Próximo de Wanderlei, acompanhava agendas do Executivo, mantinha interlocução frequente com o governador e chegou a lançar sua pré-candidatura ainda filiado ao partido. Naquele momento, sua pretensão política passava pela continuidade do mesmo grupo que hoje está no centro das críticas feitas por Vicentinho durante a campanha.
A relação entre os dois também atravessou o período em que Wanderlei ficou afastado do governo, entre setembro e dezembro de 2025, por decisão judicial. Presidente da Assembleia, Amélio permaneceu como uma das principais lideranças políticas do grupo durante a crise. A proximidade construída até então ajuda a dimensionar a mudança ocorrida nos meses seguintes: menos de um ano depois, ele disputa a eleição no campo adversário.
A sucessão mudou de mãos
O cenário começou a tomar outra direção com o retorno de Wanderlei ao cargo e a definição das alianças para 2026. Dorinha Seabra (União Brasil) ganhou espaço na construção da sucessão, passou a reunir o apoio do grupo governista e acabou escolhida como candidata ao governo. Wanderlei, que decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato e não disputar o Senado, passou a atuar diretamente pela candidatura da senadora, ao lado de familiares e aliados.
Sem espaço para disputar o governo pelo Republicanos, Amélio deixou o partido, filiou-se ao MDB e passou a integrar outra composição. A construção reuniu MDB e PSDB e terminou com Vicentinho candidato a governador e Amélio na vice. Alexandre Guimarães (MDB), candidato ao Senado, também participou da formação desse grupo.
A mudança de posição política, por si só, não impede Amélio de divergir do governo ao qual esteve ligado. Mas a trajetória recente coloca uma questão para a chapa: em que momento e por quais razões o presidente da Assembleia passou a compartilhar o diagnóstico crítico sobre uma administração que, meses antes, pretendia suceder com o apoio do próprio grupo governista?
Vicentinho endurece oposição
A questão ficou mais evidente com a postura adotada por Vicentinho na campanha. Nos debates, o tucano tem direcionado críticas à atual administração e explorado principalmente problemas em áreas como a saúde. Ao mesmo tempo, procura associar Dorinha à continuidade do governo Wanderlei.
Dorinha não tem rejeitado essa ligação. A candidata reconhece o apoio do governador, destaca ações e avanços da atual gestão e sustenta que pretende preservar o que considera positivo, ao mesmo tempo em que promete mudanças nos pontos que avalia como necessários. Wanderlei, por sua vez, colocou seu grupo político na campanha e participa de agendas em favor da candidata.
É justamente nessa divisão que Amélio ocupa uma posição particular. Dorinha ficou com o espaço político que ele próprio buscou: ser o nome apoiado por Wanderlei para a sucessão. Hoje, porém, Amélio está ao lado do candidato que tenta convencer o eleitor de que o Tocantins precisa substituir o grupo que governa o Estado.
A trajetória não responde se as críticas feitas agora pela chapa de Vicentinho são corretas ou não. Coloca, porém, uma pergunta que Amélio ainda precisa responder politicamente durante a campanha: o que mudou entre o período em que pretendia suceder Wanderlei e o momento em que decidiu disputar a eleição como vice de uma candidatura de oposição ao governo?
