A senadora Dorinha Seabra (União Brasil) incorporou à campanha pelo governo do Tocantins uma prestação de contas município por município dos recursos que atribui à sua atuação parlamentar. Nas redes sociais, a candidata passou a publicar uma série de peças que apresenta o montante destinado a cada cidade e, em seguida, relaciona os valores a obras, equipamentos e serviços em diferentes áreas.

A fórmula se repete. A primeira imagem traz uma fotografia do município, o valor global e a frase “Trabalho que [nome da cidade] já pode ver”. Nas telas seguintes dos carrosséis, a campanha distribui os recursos entre áreas como saúde, educação, infraestrutura e assistência social e cita ações específicas. Palmas, Porto Nacional, Taguatinga e Dianópolis estão entre os exemplos publicados nesse formato.

Em Palmas, a campanha apresenta mais de R$ 339 milhões destinados e cita, entre outras ações, recursos para saúde, infraestrutura, educação e assistência social. Em Porto Nacional, o valor divulgado supera R$ 112 milhões. Para Taguatinga e Dianópolis, as peças apontam mais de R$ 10 milhões para cada município. Os números são apresentados pela própria campanha como resultado da atuação de Dorinha no Congresso.

Paraíso do Tocantins entrou na mesma linha de comunicação, mas com formato diferente. Em vez do carrossel, a apresentação dos mais de R$ 46 milhões atribuídos à atuação da senadora aparece em vídeo com o prefeito Celso Morais. A participação de um prefeito dá à mensagem um componente que os demais exemplos não têm: a prestação de contas deixa de ser feita apenas pela candidata e recebe o testemunho de uma liderança que administra o município beneficiado pelos recursos.

Do Congresso para o Palácio Araguaia

A sequência ajuda a entender como a campanha pretende usar os anos de Dorinha em Brasília na disputa estadual. Depois de quatro mandatos como deputada federal e do mandato no Senado, ela tenta apresentar a capacidade de conseguir recursos federais como credencial para administrar o estado.

Há uma diferença importante entre simplesmente anunciar quanto a senadora destinou ao Tocantins e fazer isso cidade por cidade. Ao individualizar os números, a campanha procura aproximar cifras que poderiam ficar abstratas do cotidiano do eleitor. Uma obra, uma unidade de saúde, uma escola ou um equipamento localizado no próprio município permite estabelecer uma relação mais direta entre o mandato parlamentar e aquilo que a campanha chama de “trabalho que já pode ver”.

A estratégia também permite regionalizar o discurso sem alterar sua mensagem central. O eleitor de Dianópolis recebe uma prestação de contas sobre Dianópolis; o de Porto Nacional, sobre Porto Nacional; o de Taguatinga, sobre Taguatinga. Dorinha chega a cada cidade com uma cifra e uma lista própria de ações, enquanto mantém a mesma identidade visual e o mesmo argumento político.

Esse tipo de comunicação tem peso particular para uma candidata cuja trajetória recente está concentrada no Congresso. Dorinha não chega à eleição estadual com uma gestão municipal ou estadual recente para exibir como vitrine administrativa. A campanha, portanto, busca construir essa vitrine a partir do mandato parlamentar: recursos obtidos em Brasília passam a ocupar o espaço das entregas que prefeitos e governadores normalmente apresentam durante uma eleição.

A série deixa evidente uma das escolhas da candidatura para esta fase da eleição: Dorinha quer que sua passagem por Brasília seja vista não apenas como parte de seu currículo, mas como algo materializado nos municípios. Ao trocar o número estadual por cifras locais e relacioná-las a entregas identificáveis, a campanha tenta fazer do mandato no Congresso uma demonstração prática do que a candidata oferece ao eleitor na disputa pelo Palácio Araguaia.