A 25 dias da eleição, a corrida pelo governo do Tocantins ainda guarda uma quantidade de votos sem dono. Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB), Laurez Moreira (PSD) e Ataídes Oliveira (Novo), os quatro candidatos mais bem colocados nos levantamentos recentes, chegam a setembro com tarefas diferentes diante de quem ainda não escolheu governador. Dorinha precisa acrescentar voto à estrutura política que reuniu; Vicentinho precisa fazer da oposição ao atual grupo de poder uma escolha pelo seu nome; Laurez precisa convencer que ainda há espaço para alterar a ordem da disputa; e Ataídes tenta alcançar quem está além do eleitor já identificado com seu discurso.

Esse eleitor não está necessariamente alheio à política. A proximidade da votação tende a mudar a relação com a campanha. A partir de 15 de setembro, faltarão apenas 19 dias para o primeiro turno, em 4 de outubro. A eleição passa a ocupar mais espaço nas conversas em casa, no trabalho, nos grupos de mensagens e nas relações políticas de cada município. Parte dos indecisos já conhece os candidatos e acompanha a disputa, mas ainda compara nomes, rejeita alguns deles ou espera encontrar uma razão para fechar a escolha. É nesse período que uma conversa, o apoio de uma liderança local, uma notícia, a propaganda eleitoral ou o desempenho num debate podem pesar mais do que pesavam no início da campanha.

Dorinha

Dorinha chega a essa fase com uma vantagem que não aparece apenas nos percentuais das pesquisas: capilaridade. A senadora reuniu o governador Wanderlei Barbosa e mais de uma centena de prefeitos, entre eles os gestores dos cinco maiores municípios do estado. Nos primeiros dias de setembro, concentrou compromissos em Palmas, Araguaína e Gurupi, sem abandonar as agendas no interior.

Para conquistar quem ainda não decidiu, porém, Dorinha precisa fazer mais do que apresentar a força dessa estrutura. Como lidera a disputa e está associada ao grupo que governa o estado, seu desafio é convencer o indeciso de que a continuidade oferece uma razão concreta para fechar o voto. É um eleitor que, a 25 dias da eleição, provavelmente já conhece a candidata e sabe quem está ao lado dela, mas ainda não transformou esse conhecimento em escolha.

É nesse ponto que prefeitos, vereadores e lideranças locais podem ter maior peso: não apenas demonstrar tamanho político, mas aproximar Dorinha de um eleitor que ainda hesita. Para quem lidera, a questão não é somente conquistar novos votos, mas entender por que uma parcela do eleitorado, mesmo diante de uma campanha tão estruturada, ainda não decidiu votar na candidata. A resposta a essa pergunta pode definir quanto espaço Dorinha ainda tem para crescer.

Vicentinho

Vicentinho faz outra conta. O deputado precisa reunir no próprio nome uma parcela do eleitorado que não deseja a continuidade do grupo que governa o Tocantins. Sua campanha tem procurado o contato direto em bairros, empresas e municípios onde identifica possibilidade de crescimento. No resto desta semana, a agenda passa por Gurupi e Formoso do Araguaia.

A existência de um eleitor descontente, porém, não garante voto no candidato que aparece em segundo lugar. Vicentinho precisa transformar a vontade de mudança em escolha pelo seu nome e, ao mesmo tempo, reduzir a distância para Dorinha a ponto de fazer a disputa parecer aberta.

É aí que o voto útil pode pesar a seu favor. Se chegar às últimas semanas consolidado como principal adversário de Dorinha e com possibilidade de alcançá-la, pode atrair indecisos e eleitores de outras candidaturas que tenham como prioridade derrotar o grupo governista. Para Vicentinho, portanto, não basta ocupar o segundo lugar: precisa convencer que pode chegar ao primeiro.

Laurez

Laurez enfrenta o relógio por uma razão diferente. A Caravana Pra Frente Tocantins percorreu o Sudeste e chega agora ao Bico do Papagaio, numa tentativa de fazer sua candidatura circular por regiões distantes de Gurupi, sua principal base eleitoral.

Para crescer, o ex-prefeito precisa quebrar uma percepção que pode se tornar mais resistente à medida que a votação se aproxima: a de que a escolha para governador está limitada aos dois primeiros colocados. O indeciso é, por isso, particularmente importante para Laurez. Enquanto esse eleitor não fecha voto, existe espaço para alterar a ordem da corrida. Quando começa a escolher também pela possibilidade de vitória, a terceira candidatura passa a disputar não somente preferência, mas a própria percepção de que ainda pode chegar lá.

Ataídes

Ataídes encontra uma fronteira diferente. O ex-senador tem procurado marcar com clareza seu lugar à direita, com críticas ao PT e ao Supremo e um discurso econômico liberal. Isso facilita a identificação com uma parcela do eleitorado, mas não basta para alcançar quem decide a eleição estadual por questões mais próximas de sua rotina.

Para avançar, Ataídes precisa fazer sua candidatura conversar também com o eleitor preocupado com saúde, emprego, segurança, estradas e serviços públicos. Quanto mais perto da votação, maior também é o risco de perder parte do eleitor ideologicamente próximo para candidaturas consideradas mais competitivas.

Abstenção

Há ainda uma disputa que nenhuma pesquisa de intenção de voto resolve: fazer o eleitor comparecer. O Tocantins carrega uma abstenção próxima de um quinto do eleitorado nas últimas eleições gerais. Em 2014, 195.295 eleitores não foram votar, 19,60% do total; em 2018, foram 207.625, ou 19,97%; e, em 2022, 202.609, equivalentes a 18,55%. Em três eleições consecutivas, portanto, cerca de 200 mil tocantinenses ficaram fora das urnas. Para as campanhas, não basta saber para onde pode caminhar o indeciso. Também importa saber quantos desses eleitores estarão diante da urna no dia 4.

É nessa combinação que as últimas semanas podem mexer na eleição. Dorinha precisa transformar sua presença política em votos suficientes para preservar e ampliar a dianteira; Vicentinho precisa reduzir a distância com quem ainda procura uma alternativa ao grupo governista; Laurez depende de uma parcela que não aceite antecipadamente uma disputa entre os dois primeiros; Ataídes precisa atravessar a fronteira do eleitor que já concorda com ele. E todos dependem de algo anterior à escolha do candidato: levar seus eleitores às urnas. Num estado em que cerca de um em cada cinco eleitores ficou em casa nas três últimas eleições gerais, conquistar um voto e fazer esse voto comparecer são duas partes da mesma eleição.