Colocada como pré-candidata à Câmara dos Deputados, a ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB), passou também a ser citada nos bastidores políticos como uma alternativa para compor a chapa majoritária encabeçada por Vicentinho Júnior (PSDB) na disputa pelo governo do Tocantins.

A hipótese não altera apenas o desenho da chapa tucana. Ela também abre uma discussão sobre o papel do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (MDB), apontado hoje como pré-candidato a vice-governador. Caso a vaga fosse ocupada por Cinthia, Amélio poderia retornar ao projeto de disputar a reeleição para deputado estadual e permanecer no centro das articulações da Assembleia a partir de 2027.

O movimento teria repercussões que vão além da sucessão estadual. Com dois mandatos consecutivos na presidência da Casa, Amélio construiu influência entre parlamentares de diferentes grupos políticos e continuaria ocupando posição estratégica na definição dos espaços de poder do próximo mandato. Sua permanência no Legislativo também o colocaria como um dos atores relevantes na disputa pelo comando da Assembleia, cenário acompanhado de perto por aliados do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), que trabalham para fortalecer a posição do grupo na Casa nos próximos anos.

Entre os nomes citados nos bastidores para ocupar esse espaço está o do deputado estadual Léo Barbosa (Republicanos), filho do governador. Nesse contexto, uma eventual candidatura de Amélio à reeleição manteria no Parlamento uma liderança com capacidade de influenciar a formação de maiorias e participar diretamente das negociações sobre a futura Mesa Diretora.

É a partir desse cenário que o nome de Cinthia ganha relevância. A possibilidade alteraria a configuração atualmente apresentada pelo grupo tucano e acrescentaria ao projeto um ativo eleitoral difícil de ser encontrado em outras lideranças disponíveis no campo político de Vicentinho: a presença no maior colégio eleitoral do estado.

A avaliação ganha peso em um momento no qual Palmas passa pelo centro do debate político estadual. A ex-prefeita mantém capital político na capital, enquanto o prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), principal aliado da pré-candidata governista Dorinha Seabra (União Brasil) em Palmas, enfrenta desgaste decorrente da crise na saúde municipal, agravada nesta semana pela prisão da secretária municipal de Saúde durante investigação da Polícia Civil relacionada à terceirização das UPAs.

Caso fosse escolhida para ocupar a vice, o PSDB agregaria uma liderança com forte identificação junto ao eleitorado de Palmas, ampliaria a presença feminina na majoritária e passaria a disputar espaço em um território considerado estratégico para qualquer candidatura competitiva ao Palácio Araguaia..

A presença da ex-prefeita também alteraria a composição simbólica da chapa. Entre os grupos mais competitivos para 2026, a candidatura de Dorinha ocupa naturalmente o espaço da representação feminina na disputa pelo governo. Com Cinthia na vice, Vicentinho apresentaria uma resposta política a essa condição, sem depender exclusivamente de lideranças masculinas em sua majoritária.