Fábio Vaz defende fim da escala 6×1, diz que educação do Tocantins era “superficial” e rejeita extremos ideológicos
27 maio 2026 às 15h11

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Quando assumiu a Secretaria da Educação do Tocantins, no fim de 2021, Fábio Pereira Vaz (Republicanos) diz ter encontrado uma estrutura “fragilizada”, sem planejamento estratégico e marcada pela descontinuidade administrativa. Professor efetivo da rede estadual, ex-prefeito e ex-vereador de Palmeirópolis, ele afirma que a experiência no executivo consolidou uma visão mais técnica da gestão pública e o levou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026.
Na entrevista ao Jornal Opção Tocantins, Fábio defende uma atuação parlamentar voltada para educação básica, previdência e políticas sociais, rejeita rótulos ideológicos e afirma se posicionar “no centro”. Também se declara favorável ao fim da escala 6×1 e defende uma CPI para investigar o Banco Master. Sobre a sucessão estadual, afirma apoiar a pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra ao governo.
O que o senhor encontrou quando assumiu a Secretaria da Educação?
Quando você está do outro lado, como professor da rede ou prefeito de município, imagina que a estrutura do Estado já é algo muito amadurecido, validado, organizado. Quando eu sentei na cadeira da Seduc, percebi que não era nada disso. Existia uma reatividade constante, muita troca de gestão, muita superficialidade.
Educação exige profundidade, planejamento, continuidade. E eu encontrei uma rede sem planejamento estratégico, sem norte definido. Reuni os superintendentes e perguntei quais eram as metas, qual era o planejamento estratégico da secretaria. Não tinha.
Qual era o cenário naquele momento?
Encontrei servidores cansados, machucados, sem esperança. Era um período pós-pandemia, mas também de desgaste acumulado. As pessoas trabalhavam e sentiam que as coisas não avançavam.
Quando cheguei, o índice de alfabetização na idade certa era de 14%. Hoje já estamos em 61%. Era uma tragédia silenciosa. E isso nem era responsabilidade direta do Estado, porque alfabetização acontece nos municípios. Faltava liderança e coordenação.

O que mudou na sua gestão?
A primeira coisa foi criar planejamento estratégico. O Profe nasce exatamente disso. Criamos metas claras e mecanismos de acompanhamento. O Tocantins não tinha sistema próprio de avaliação. Então criamos o Saeto (Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Tocantins) junto com a Universidade Federal de Juiz de Fora.
Também fortalecemos a rede efetiva. Quando cheguei, havia cerca de 4,9 mil professores efetivos. Hoje são quase 9 mil. Aumentamos o tempo integral, estruturamos equipes técnicas e fortalecemos carreiras dentro da própria Seduc.
O senhor também apostou em técnicos efetivos dentro da secretaria. Isso foi proposital?
Totalmente. Eu sou servidor efetivo e sempre acreditei que a Seduc precisava ser fortalecida pelos próprios quadros da rede. Muitos superintendentes começaram como técnicos, passaram por gerências, diretorias e chegaram aos cargos de liderança.
Hoje a própria secretária estadual veio desse processo. Isso consolida maturidade institucional e reduz dependência política.
O concurso da Educação gerou críticas de grupos que cobram mais convocações. Como o senhor lidou com isso?
É uma discussão muito técnica. O concurso ficou 14 anos sem acontecer. Foram previstas 5 mil vagas, mas algumas áreas não tiveram aprovados suficientes, principalmente matemática. Em outras áreas, houve milhares de aprovados para poucas vagas.
As pessoas confundem aprovado com classificado. Quem tirou acima de cinco foi aprovado, mas isso não significa convocação automática. Mesmo assim, chamamos cerca de 1,2 mil excedentes.
O senhor considera o concurso um legado da gestão?
Sem dúvida. Não existe uma judicialização sequer. O concurso teve começo, meio e fim. Conseguimos ainda aprovar redistribuições para abertura de novas vagas. Somando tudo, chegamos próximos de 5 mil chamadas.
Outra cobrança constante era sobre ar-condicionado nas escolas. O problema era maior do que parecia?
Muito maior. Primeiro percebemos que não adiantava comprar ar-condicionado porque a estrutura elétrica das escolas não suportava. Refizemos redes elétricas. Depois vimos que a carga externa também não suportava.
Então entramos em negociação com a Energisa e conseguimos mais de 200 transformadores. Hoje existe um processo em andamento com rede refeita, transformadores instalados e aparelhos distribuídos.
E como resolver o custo da energia?
O estado trabalha numa PPP de energia solar para as escolas. Hoje quase metade do recurso das unidades vai embora na conta de energia.
A ideia é que o governo absorva isso via energia solar. É uma mudança estrutural importante.
Depois de quatro anos no executivo, por que disputar a Câmara Federal?
Porque as grandes mudanças da educação passam por Brasília. Aqui a gente executa o que é definido nacionalmente. E tem muita coisa que precisa ser revista.
Eu venho da educação básica, de cidade pequena, da zona rural. Sei o que é aluno chegar com fome, passar horas na estrada, não ter mochila, uniforme ou estrutura mínima em casa. A escola pública precisa ser acolhedora, não apenas ofertar vaga.
Que temas o senhor pretende defender no Congresso?
Educação, previdência, servidor público e políticas para idosos. Nós estamos envelhecendo como país e pouca gente discute isso com profundidade.
Também quero discutir permanência estudantil. Muitas vezes o aluno entra num curso técnico ou superior e abandona porque precisa trabalhar. O custo para formar três alunos é praticamente o mesmo custo para formar trinta. O país precisa olhar para isso.
O senhor é professor, evangélico e ligado ao agro. Onde se posiciona politicamente?
Eu sou de centro. Sou contrário aos extremos. Não é porque eu sou professor que eu tenho que ser de esquerda. Não é porque eu sou evangélico que eu tenho que ser de direita.
Eu acredito no diálogo. Não tive greve na minha gestão porque sentei na mesa para conversar.
Então o senhor rejeita essa polarização?
Totalmente. Acho que os extremos fazem mal. A sociedade não precisa ser dividida dessa forma. Eu defendo programas sociais, educação pública forte, proteção à família e diálogo com o agro. As coisas não precisam ser inimigas umas das outras.
O senhor é favorável ao fim da escala 6×1?
Totalmente favorável. A legislação trabalhista precisa avançar.
Nós vivemos uma sociedade cada vez mais acelerada e adoecida.
E quem sofre mais é o trabalhador que ganha menos. Ele precisa ter tempo para si, para descansar, para conviver com a família. Essa é uma discussão civilizatória.
O Congresso também discute uma possível CPI do Banco Master. O senhor acha necessária?
Precisa ter CPI. Ela é importante para trazer transparência e mostrar fragilidades do sistema financeiro.
Pelo que foi divulgado, existe muito dinheiro público envolvido, especialmente fundos de pensão. A sociedade precisa entender o que aconteceu.
Quem é sua candidata ao governo do Tocantins em 2026?
Minha pré-candidata é a senadora Dorinha. Ela é da mesma linha política do governador Wanderlei Barbosa e tem uma trajetória ligada à educação.
Eu acredito muito nesse momento de fortalecimento da participação feminina na política. A professora Dorinha é preparada, qualificada e pronta para governar. Para mim, existe uma identificação natural com essa caminhada.
