A conta do PL chega para Filipe Martins na disputa pela reeleição
10 agosto 2026 às 13h12

COMPARTILHAR
A permanência de Filipe Martins no PL, decidida no fim da janela partidária, teve um componente que não se restringia à matemática eleitoral. O deputado recebeu convites para mudar de partido, avaliou alternativas, mas pesaram a identificação com o campo bolsonarista e sua ligação com o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Ficou. A partir dali, caberia ao PL, comandado no Tocantins pelo senador Eduardo Gomes, montar uma chapa para deputado federal capaz de dar sustentação à tentativa de reeleição de Filipe. Meses depois, encerradas as convenções, a escolha feita lá atrás começa a ser testada na prática.
Filipe entra na campanha como principal nome da nominata proporcional do PL, mas sem uma composição que, ao menos no desenho atual, tenha reunido candidatos de peso suficiente para tornar sua eleição confortável. A legenda dependerá bastante do desempenho do próprio deputado e dos votos produzidos pelos demais candidatos. Entre março e abril, quando ainda se discutia sua eventual saída, Filipe dizia acreditar na nominata que Eduardo Gomes construía. Encerradas as convenções, já é possível comparar aquela expectativa com a chapa que o partido conseguiu apresentar.
A situação ganhou outra variável com a montagem da chapa ao Senado. Pastor Amarildo Martins, pai de Filipe e uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Madureira no Tocantins, trabalhou para ter Dalide Corrêa na primeira suplência de Carlos Gaguim. A indicação enfrentou resistência dentro do grupo governista e acabou descartada. Gaguim fechou sua composição com outros nomes, decisão que provocou incômodo no grupo de Amarildo e deixou uma dúvida sobre o grau de empenho dessa estrutura na campanha majoritária. A prioridade de Amarildo é a eleição do filho, mas isso não significa que esteja disposto a dedicar o mesmo esforço aos demais candidatos da aliança.
O problema é que as duas disputas não estão completamente separadas. O desconforto de Amarildo com a majoritária formada por PL, União Brasil/PP, Republicanos e aliados pode levá-lo a manter distância do grupo ou até a conversar com candidaturas adversárias. Ao mesmo tempo, Filipe precisa do PL mobilizado, de uma nominata competitiva e do empenho partidário para buscar a reeleição. Uma reação mais dura de Amarildo, portanto, teria de considerar também os efeitos sobre a estrutura partidária da qual o filho depende.
A margem para um rompimento fica estreita. Amarildo pode reduzir sua participação na campanha ao governo e ao Senado e concentrar esforços em Filipe, mas precisa evitar que o mal-estar com a majoritária alcance a proporcional. Para Filipe, a conta é delicada: permaneceu no PL por uma escolha política e agora precisa que o partido entregue eleitoralmente a estrutura que pesou naquela decisão. A nominata não saiu das convenções com a força esperada e qualquer perda adicional de empenho dentro da sigla aumenta a responsabilidade sobre a votação individual do deputado.
