Após sair do centro, Amélio vira elo e dá lastro político à chapa de Vicentinho
05 maio 2026 às 13h00

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Nos bastidores da política tocantinense, o desenho da chapa encabeçada por Vicentinho Júnior (PSDB), como pré-candidato ao governo nas eleições deste ano, começa a ganhar contornos que vão além da divisão formal de cargos. A presença de Amélio Cayres (MDB) como pré-candidato a vice tem sido lida por interlocutores como um elemento de equilíbrio interno. Ao lado dele, aparecem nomes de perfil mais jovem, como o próprio Vicentinho e o deputado federal Alexandre Guimarães, que se movimenta em torno de uma pré-candidatura ao Senado. A composição, nesse formato, sugere uma tentativa de combinar renovação com experiência política acumulada.
Essa configuração contrasta com o cenário que começou a mudar ainda no início de dezembro de 2025, com o retorno do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao cargo. A partir dali, interlocutores passaram a identificar sinais de deslocamento do projeto sucessório em direção ao nome da senadora Dorinha Seabra (UB).
Mesmo com essa mudança de ambiente, Amélio Cayres manteve, no começo de 2026, a tentativa de sustentar a própria pré-candidatura ao governo pelo Republicanos. Ao longo dos meses seguintes, até o fechamento da janela partidária, o grupo viveu uma disputa interna sobre qual nome representaria a sucessão com o aval do Palácio. Nesse processo, a senadora consolidou espaço, enquanto Amélio acabou deslocado da condição de cabeça de chapa.
A saída desse eixo e a aproximação com Vicentinho não se deram de forma abrupta no discurso público, mas são tratadas nos bastidores como resultado de desgaste e de perda de espaço dentro do grupo original. A nova composição, nesse sentido, aparece como alternativa de sobrevivência política e de reposicionamento. Ainda assim, relatos iniciais indicavam uma leitura de que Amélio não estaria na mesma sintonia dos demais integrantes da chapa, especialmente pela transição de um projeto de cabeça para a posição de vice.
Ao avançar nas conversas com aliados próximos, essa percepção perde força. Interlocutores descrevem que o comportamento do presidente da Assembleia segue o mesmo padrão adotado ao longo da trajetória política: discurso moderado, baixa exposição em confrontos diretos e trânsito aberto entre diferentes grupos. A avaliação corrente é que não houve mudança de postura, mas sim expectativa externa desalinhada com o perfil que ele construiu. Mesmo em uma eventual candidatura ao governo, dizem esses aliados, a condução não seria marcada por embates ou elevação de tom.
É nesse ponto que a atuação de Amélio passa a ser vista como peça funcional dentro da engrenagem da chapa. Nos bastidores, ele é descrito como responsável por abrir canais de diálogo e facilitar aproximações que, sem essa mediação, tenderiam a enfrentar mais resistência. A interlocução com gestores municipais aparece como um dos focos dessa articulação. Apoios como os dos prefeitos Leonardo Noleto, de Santa Maria do Tocantins, Dr. Mayck Câmara, de Xambioá, e Ormando Brito, de Tupirama, todos eleitos em partidos que compõem a base do governo estadual, são citados como exemplos dessa capacidade de trânsito.
Há também relatos de novas conversas em curso com outros prefeitos e lideranças locais, ainda sem formalização pública. Nesse ambiente, a leitura predominante é que Amélio contribui menos pelo protagonismo eleitoral direto e mais pela capacidade de costura política. Entre interlocutores, a presença dele na chapa tem sido associada a um tipo de capital político baseado em relações acumuladas e em uma atuação de bastidor, que tende a influenciar a receptividade de diferentes grupos ao projeto liderado por Vicentinho.
