Flávio Bolsonaro busca “benção” de Trump após crise abalar projeto presidencial
27 maio 2026 às 11h08

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Pode-se dizer que ele não exista, mas o desespero, sim, está batendo à porta de Flávio Bolsonaro para manter viável a sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL). Para tentar desassociar sua imagem de Daniel Vorcaro, ele foi justamente pedir “bênção” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se tornou uma figura de referência para parte da direita.
Uma foto do encontro no Salão Oval da Casa Branca foi publicada nas redes sociais: a imagem mostra mais uma pose aleatória do que um encontro realmente aguardado por ambas as partes — ou, pelo menos, pelo presidente americano. No registro, Donald Trump aparece sentado ao centro; Flávio Bolsonaro, à esquerda; Eduardo Bolsonaro – o irmão autoexilado nos EUA, à direita; e Paulo Figueiredo, ao fundo. Todos os demais estão em pé.
Membros da comitiva alegaram que a conversa foi rápida e que apenas alguns documentos foram entregues a assessores da Casa Branca. O trio teria apenas entrado, tirado a foto e saído da sala. Há ainda relatos de que o presidente americano sequer se levantou para recebê-los. Entre as pautas que seriam tratadas estavam a equiparação das facções criminosas a grupos terroristas e a garantia plena da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil — uma bandeira comum entre os dois grupos políticos.
A realidade é que, depois de virem à tona mensagens nas quais Flávio pede dinheiro a Vorcaro para viabilizar “Dark Horse” — cinebiografia sobre Jair Bolsonaro —, cada passo dado para tentar mitigar o estrago foi marcado por um amadorismo tremendo. Em um primeiro momento, Flávio negou qualquer envolvimento com o banqueiro, chegando a tratar um jornalista como “militante”.
Mas, ao longo de suas entrevistas, ele foi revelando diversos aspectos que contrariavam seus argumentos anteriores. Desde admitir que realmente pediu ajuda ao banqueiro até confirmar que o visitou na cadeia após a prisão.
Agora, para tentar sanar essa crise, mais uma vez a direita bolsonarista quer recorrer à soberania americana para tentar “se salvar”. O movimento é correto? Acredito que não. Como levar a sério alguém que pretende chegar ao cargo de presidente da República — a maior autoridade de um país —, mas que busca a bênção de outra nação diante de qualquer intercorrência?
Um dos principais discursos da direita mais radical sempre foi o combate à corrupção e a defesa de uma imagem ilibada diante de crimes dessa natureza. Se não deve, não tem o que temer, não é mesmo? Então que venham à tona as provas de que a relação com Vorcaro ocorreu antes das investigações e de que os contatos eram apenas de “um filho buscando viabilizar recursos para contar a história do pai”. Isso não seria errado, ainda que existam outras formas de viabilizar esse tipo de produção, como a Lei Rouanet — alvo constante de críticas, mas que existe justamente para captar patrocínios e financiar obras desse porte, que tendem a se tornar as produções mais caras da história do cinema nacional.
Até o momento, o impacto disso se resume a uma resposta que não colou junto à sociedade. Muitas pontas dessa história ainda permanecem soltas em um ano eleitoral, no qual cada fato que vem a público pode se transformar em um grande calcanhar de Aquiles, sendo determinante para uma eleição. Para tentar reverter esse cenário, o marqueteiro político foi trocado — ainda que por alguém de dentro de casa — na tentativa de melhorar a imagem de Flávio e, ao mesmo tempo, impedir que o pai desista da escolha e transfira seu peso político para outro nome.
O que Flávio parece esquecer é que essa solução precisa ser construída no quintal de casa, e não no dos outros. O encontro com Trump não apaga as várias explicações que ele ainda precisa dar sobre o tema, tratado até mesmo por aliados como “a ponta do iceberg”. O pré-candidato do PL precisa trabalhar melhor suas estratégias em seu próprio reduto eleitoral, em vez de tentar colocar o presidente americano em uma disputa que, ao que tudo indica, ele não está disposto a comprar.
