O Brasil nos decepciona mais uma vez
07 julho 2026 às 09h55

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A seleção brasileira estava em uma das piores campanhas de sua história. Apesar de alguns talentos individuais, Carlo Ancelotti não conseguiu construir um coletivo… e talvez ele soubesse disso. A teoria que perpassa alguns grupos de amigos meus no WhatsApp é que o fato dele ter escolhido renovar com o Brasil até 2030 pode ter nascido da consciência que desta vez não dava. E vamos ser realistas, no fundo também sabíamos que não tinha possibilidade de chegar longe com um time tão desencantador, mediano e que aparentava aos telespectadores que não tinha afinidade.
Isso não é excluir do cálculo desta opinião a genialidade de Vinicius Jr., a potência do Endrick e Martinelli e a garra do Matheus Cunha e Rayan, a experiência e a habilidade de Neymar Jr e nem mesmo a capacidade intelectual do Ancelotti, que é, sem dúvida nenhuma, o maior técnico do mundo. O que se deve perceber, é que o time estava com problemas de compatibilidade em campo. Estávamos, basicamente, torcendo para que alguém, tomasse as rédeas da situação e fizesse gol. Isso é sintoma de um coletivo ruim. Afinal, alguém tinha que ter tomado a bola, criar a chance e fazer o gol? É muito complicado de cobrar… e, nesse sentido, de culpar uma ou outra pessoa.
Já tem alguns bons anos que se sabe que uma seleção campeã é construída, não é simplesmente juntada com partes de diferentes cadáveres como o monstro de Frankenstein. É preciso existir como time antes de se pensar em heróis. Não que eles não sejam importantes, mas é preciso pensar no coletivo como um ser vivo funcional, autônomo e capaz de destruir ou minimizar os riscos antes de cogitar em depender da ação de remédios milagrosos.
E se pensarmos com calma, usando outra analogia, percebemos que estávamos mais preocupados que os “santos” fizessem milagres do que qualquer outra coisa. Nesta Copa, os bons resultados que tivemos até chegar na Noruega de Erling Haaland, o gigante Viking que precisou de pouquíssimas oportunidades para garantir o resultado de 2×1 contra o Brasil, foi graças aos muitos “santos”. Os talentos individuais de nossa seleção trabalharam muito bem, mas não foi e não é suficiente nos dias de hoje.
Sobre o jogo contra o Noruega, perceba como o time norueguês jogou bem. Manteve 60% da posse de bola, acertou 627 dos 683 passes, um aproveitamento de 91,8%. Bateram o recorde da Copa de 2026 com esses números. É verdade, finalizamos 14 vezes, com ótimas chances. Um inacreditável pênalti perdido no começo do jogo. Assim, acredito que não faltou o “algo a mais”, faltou o mínimo, na verdade… e é disso que estamos carentes.
Ancelotti terá quatro anos para mudar a nossa trajetória, marcada por derrotas tristes, melancólicas e decepcionantes. Ele terá a reponsabilidade de construir um novo organismo, talvez centrado em outras dinâmicas. Mais funcionais, mais adaptadas a matéria prima e mais focadas no futebol do nosso tempo. Nesse ponto de vista, somente um projeto de longo prazo irá dizer que tipo de seleção brasileira vamos ter. Aguardo com esperança!
