O preço de viver com pressa pode esgotar nosso recurso mais valioso
23 maio 2026 às 13h34

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Por Tiago Vechi
Tempo! É o que temos de mais valioso, porque tempo é tudo. É ele que nos faz deixar de ser crianças, amar alguém, ver os filhos crescerem e perceber que tudo muda bem diante dos nossos olhos, o tempo passa sem parar, ainda que devagar.
Pensar que o tempo não para é uma ideia angustiante, a cada segundo, a morte está mais perto, mas, por outro lado, é o que dá mais valor à vida. A passagem do tempo incomoda porque ela é inevitável.
O presente desaparece antes mesmo de ser compreendido completamente. Muitas vezes, as pessoas percebem que perderam oportunidades importantes apenas quando elas já se transformaram em lembrança. Relações são deixadas para depois, conversas são adiadas e afetos acabam tratados como algo secundário.
Talvez o maior erro da vida moderna seja tratar o tempo apenas como algo que precisa ser administrado. O tempo precisa, acima de tudo, ser vivido. Ele ganha sentido, principalmente, quando compartilhado. Afinal, conquistas individuais envelhecem rápido quando não existem pessoas com quem celebrá-las.
Aí que entra um aspecto que torna a amizade uma experiência indispensável: ela devolve leveza à vida adulta. Em um cotidiano marcado por responsabilidades e cobranças, bons amigos permitem recuperar espontaneidade, humor e até certa ingenuidade perdida com os anos.
No fim, a amizade não interrompe o tempo, mas muda a forma como ele é sentido. Certos encontros fazem algumas horas parecerem pequenas, enquanto determinadas ausências conseguem tornar anos inteiros vazios. É justamente nisso que está o valor das relações humanas: elas não impedem o avanço da vida, mas fazem com que ela valha a pena enquanto acontece.
Sobre este assunto, compartilho um poema que explica mais do que um texto em prosa poderia:
O solitário cavalgante
- Numa corrida de cavalo, me veio uma ideia absurda
- O tempo é o cavalgar do mundo
- E a gente, na poeira chafurda
- Até ficar imundo
- Depois que percebi, tomou-me a agonia
- O trote do tempo me incomoda
- Segundo vira hora que passa o dia
- Insuportável nessa roda
- Quando o presente vira passado?
- É bom saber, para não fazer desfeita
- Tempo bom é o compartilhado
- Quem não semeia, não come da colheita
- Mesmo depois de velho
- Contigo, me sinto criança
- Não se fez um Cristo sem evangelho
- E nem Dom Quixote sem Sancho Pança
- Um bom amigo vale uma vida
- Mais um verso para as amigas, o português me obriga
- Vivo aventuras mil, mesmo estando sentado
- Contigo me divirto, até sendo torturado
- Às vezes, passam-se as primaveras
- Sem trocarmos palavra sequer
- Nestes dias, quem me dera
- Encontrar-te num lugar qualquer
- Nem que seja só por um instante
- Mesmo para calar um pouco
- O solitário cavalgante
- Que faz de mim um louco
- Amizade, é a eterna relação
- Deixa o cavalgar suspenso
- Como as chuvas de verão
- Fazem o calor mais intenso
