Garantir que o eleitor consiga votar, escolha livremente seus representantes e tenha sua vontade respeitada é o que define uma eleição bem-sucedida para Cecília Machado Catapan, secretária de Gestão de Pessoas e porta-voz do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO).

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, ela explica a preparação das 33 zonas eleitorais que atendem os 139 municípios do estado, o trabalho para alcançar comunidades distantes e as medidas de segurança e acessibilidade. Cecília também orienta os eleitores a levar os números dos candidatos anotados na ordem de votação e a verificar informações antes de compartilhá-las.

Qual é a importância do voto para o exercício da cidadania?

O dia da eleição é o momento em que o eleitor e a eleitora manifestam expressamente sua vontade. Como vivemos em um regime democrático, no qual a escolha é feita pelo povo, é por meio do voto que materializamos esse regime.

É importante que toda a sociedade tenha consciência desse exercício. Votar não significa apenas comparecer às urnas para evitar uma sanção pela ausência, mas exercer a cidadania e o direito de participar das escolhas que dizem respeito à nossa representação.

Como esse direito contribui para a democracia?

A democracia é um regime do povo e para o povo, por isso cabe à população escolher quem vai representá-la, dentro das opções apresentadas. Esse exercício democrático se materializa pelo voto no dia da eleição.

Como o TRE-TO se organizou para garantir a realização das eleições?

Estamos nos preparando para as eleições de 2026 há mais de dois anos. Temos 33 zonas eleitorais, que abrangem os 139 municípios do estado. Todas as urnas eletrônicas já foram distribuídas aos cartórios eleitorais e preparadas com a relação de candidatos que participarão do pleito.

Também fizemos o mapeamento de aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Ao longo desse período, desenvolvemos rotas de transporte e organizamos seções eleitorais para garantir o exercício do voto dessas populações.

A Justiça Eleitoral do Tocantins está pronta. Os mesários foram convocados e treinados, e toda a estrutura está preparada para a votação.

Como o tribunal trabalha para prevenir problemas no dia da eleição?

Temos um plano de segurança institucional elaborado com a participação dos órgãos de segurança pública, como as polícias Civil, Militar e Federal, além da Agência Brasileira de Inteligência.

As zonas eleitorais se reúnem com as autoridades locais, e o TRE também mantém reuniões com os comandantes dessas instituições. O objetivo é garantir a realização da eleição e acompanhar possíveis ameaças ou situações que possam comprometer o processo eleitoral, tanto antes quanto no dia da votação.

As Forças Armadas também são convocadas, por meio do TSE, para atuar em locais específicos. No Tocantins, alguns locais terão esse apoio, e já realizamos reunião com o comandante do batalhão do Exército para tratar dessa atuação.

O que o eleitor deve fazer se encontrar algum problema ou dificuldade para votar?

O eleitor pode procurar as equipes de apoio dos cartórios eleitorais, os servidores que atuam na fiscalização, o próprio cartório, o juiz eleitoral, o promotor ou as forças de segurança que estarão à disposição da população.

Se identificar uma situação de anormalidade ou uma possível ocorrência de crime eleitoral nas proximidades do local de votação, como boca de urna ou tentativa de compra de voto, pode acionar a Polícia Militar ou os canais de atendimento da Justiça Eleitoral para que a denúncia receba tratamento imediato.

Temos uma central de atendimento ao eleitor e trabalhamos em parceria com as forças de segurança para atender essas situações.

Quais foram os principais desafios durante a preparação?

Eu destacaria a singularidade geográfica do Tocantins. Temos 33 zonas eleitorais para atender 139 municípios, o que exige uma logística bem estruturada para garantir que quem mora em uma cidade sem sede de cartório tenha o mesmo atendimento de quem vive onde há uma unidade.

No ano anterior à eleição e no próprio ano eleitoral, intensificamos os atendimentos itinerantes. A Justiça Eleitoral vai até os eleitores de povoados, assentamentos, quilombos, aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas para oferecer os serviços necessários ao exercício da cidadania.

Há localidades cujo acesso exige percorrer mais de 100 quilômetros de estrada de terra, com trechos difíceis. Ao longo desses dois anos, garantimos pelo menos uma visita para atendimento em cada município.

Entre as etapas da organização, considero o atendimento itinerante uma das mais complexas e também das mais gratificantes. Ele permite que pessoas que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços consigam exercer seu direito ao voto.

Oferecemos atendimento pela internet, mas sabemos que parte da população ainda não tem acesso a um smartphone ou a um computador. Por isso, a presença das equipes é importante, especialmente para pessoas idosas, pessoas que não sabem ler e escrever e moradores de comunidades distantes.

Em alguns assentamentos, ouvimos relatos de que a Justiça Eleitoral foi o primeiro órgão público a chegar para prestar atendimento. Isso mostra a importância desse trabalho.

Quais são as principais orientações para o dia da votação?

Nesta eleição, temos cinco cargos em disputa e seis votos, porque o eleitor fará duas escolhas para o Senado. Isso exige atenção à sequência e pode tornar a votação mais demorada.

A principal orientação é levar uma cola em papel, com os números dos candidatos anotados na ordem correta: deputado federal, deputado estadual, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente.

Quando o eleitor não conhece essa sequência, pode pensar que já está votando para governador quando ainda está na etapa de senador, por exemplo. Ao digitar um número que não corresponde ao cargo apresentado, pode achar que seu candidato não aparece, o que gera dúvidas e demora.

Por isso, é importante separar a documentação, preparar o e-Título e, principalmente, levar os números anotados na sequência da votação. Esse cuidado facilita o processo e ajuda a reduzir filas e dificuldades nos locais de votação.

Como o TRE-TO trabalhou para garantir acessibilidade e atendimento adequado?

A acessibilidade é um valor para o TRE-TO. Temos uma preocupação com as condições dos locais de votação e com a possibilidade de o eleitor exercer plenamente seu direito.

Além dos atendimentos itinerantes, fazemos vistorias nos locais de votação de todo o estado para avaliar se são acessíveis. Essas inspeções ocorrem anualmente, porque um espaço que antes oferecia condições adequadas pode passar por uma reforma e deixar de ser acessível.

Quando identificamos um problema, entramos em contato com o município, o estado ou o órgão responsável pelo imóvel e solicitamos as melhorias necessárias.

Também temos o programa Seu Voto Importa, desenvolvido como projeto piloto em Palmas. Para os eleitores que comunicaram à Justiça Eleitoral uma dificuldade de deslocamento, foi previsto um veículo para buscá-los em casa e levá-los ao local de votação.

É o primeiro ano dessa experiência. Acreditamos que o projeto poderá ser ampliado e ter maior adesão nas próximas eleições.

Como o eleitor pode se proteger da desinformação?

O principal cuidado é buscar informações em sites oficiais e em fontes de procedência conhecida, além de verificar o conteúdo antes de compartilhá-lo. A Justiça Eleitoral também dispõe de canais para receber relatos de desinformação.

Uma prática recorrente é divulgar imagens de um local de votação como se fossem de outra cidade. Um conteúdo pode circular com a informação de que determinado episódio aconteceu em Palmas, mas, ao verificarmos, constatamos que ocorreu em outro estado ou até em uma eleição anterior.

A ideia de que aquilo aconteceu perto do eleitor favorece o compartilhamento. A pessoa recebe uma mensagem dizendo que houve um problema em uma escola da sua cidade e acaba reproduzindo o conteúdo sem conferir.

Outra ferramenta é o aplicativo e-Título, que passa a emitir alertas sobre conteúdos falsos que circulam nacionalmente. Quando uma desinformação é identificada e verificada, o eleitor poderá receber uma comunicação para esclarecer o que ocorreu.

Para o tribunal, o que caracteriza uma eleição bem-sucedida?

Uma eleição bem-sucedida é aquela em que cumprimos nossa missão institucional de garantir a legitimidade do processo eleitoral por meio da escolha consciente do eleitor.

Isso significa assegurar que cada pessoa possa escolher livremente seus candidatos, exercer sua cidadania e ter essa vontade respeitada no resultado.

Sabemos que filas e transtornos podem ocorrer, mesmo com o treinamento dos mesários, a escolha dos locais de votação e o trabalho de acessibilidade. A eleição é dinâmica, e situações que não estavam previstas podem surgir apesar de toda a preparação.

Para nós, o êxito está em garantir que o eleitor consiga votar e que a escolha popular seja legítima, com seus efeitos na diplomação e no exercício dos mandatos.