PF registra menções a senadores do TO na Operação Máximus, mas aponta ausência de conexão que justifique permanência no STF
02 março 2026 às 19h18

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A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que, até o momento, não identificou elementos que justifiquem a manutenção, na Corte, do inquérito da Operação Máximus, que apura suspeitas de comercialização de decisões judiciais no Tocantins.
O caso foi encaminhado ao STF em julho do ano passado por decisão do ministro Cristiano Zanin, após deixar o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde tramitava sob relatoria do ministro João Otávio Noronha. À época, a remessa considerou a possibilidade de envolvimento de autoridades com foro por prerrogativa de função.
Em relatório parcial, que o Jornal Opção Tocantins teve acesso, remetido ao STF em 13 de janeiro de 2026, a delegada Taís Vione Trindade registrou que as citações a autoridades com possível foro são indiretas e não vieram acompanhadas, até o momento, de provas autônomas que indiquem participação em ilícitos penais.
Citações a autoridades
O relatório menciona:
- o senador Eduardo Gomes (PL), citado porque um dos investigados exerceu cargo comissionado em seu gabinete;
- a ex-ministra Cristiane Rodrigues Britto, apontada como possível referência à “Ministra Cris” em diálogos sobre articulações políticas;
- a menção ao nome da senadora Dorinha (UB), associada a conversa sobre “prestação de contas”, sem qualificação completa no trecho analisado.
Também consta referência ao ministro Dias Toffoli, em diálogo que trataria de eventual vaga no Tribunal de Justiça do Tocantins pelo quinto constitucional. A autoridade policial consignou que a citação, por si só, não configura imputação de conduta.
Segundo o relatório, até o estágio atual da apuração, não foram identificados elementos mínimos de autoria e materialidade que indiquem participação direta dessas autoridades em organização criminosa, solicitação ou recebimento de vantagem indevida ou interferência concreta em decisões judiciais.
Competência
A permanência do inquérito no STF também foi fundamentada, anteriormente, na hipótese de conexão probatória com a Operação Sisamnes. No documento enviado à Corte, a delegada afirma que, até o momento, essa conexão não se confirmou e que as investigações podem prosseguir de forma independente.
O relatório registra que, no estado atual da apuração, não há autoridade com foro por prerrogativa de função formalmente investigada que justifique a manutenção da competência do STF.
A Polícia Federal ressalta que o relatório é parcial e que parte do material apreendido, incluindo dispositivos eletrônicos e dados telemáticos, ainda não foi integralmente analisada. Conforme consignado no documento, a avaliação poderá ser revista após a conclusão das perícias pendentes.
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