Apesar de queda de homicídios, Tocantins registra alta de mortes violentas sem causa determinada, mostra Atlas
27 maio 2026 às 11h05

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O Tocantins registrou aumento de 300% nos chamados “homicídios ocultos” entre 2023 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, o número estimado de homicídios ocultos no Estado passou de 6 casos, em 2023, para 24, em 2024. O Tocantins aparece entre os estados com maior crescimento proporcional do País nesse tipo de ocorrência. Para cada 100 mil habitantes, a taxa saiu de 19,8 para 21,3, aumento de 1,5%.
Os “homicídios ocultos” são estimativas feitas a partir das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), classificadas dessa forma quando não é possível identificar oficialmente se a morte ocorreu por homicídio, acidente ou suicídio.
Segundo os pesquisadores do Atlas, esses casos podem esconder assassinatos que acabam não entrando nas estatísticas oficiais por falhas na investigação, ausência de integração entre órgãos públicos ou falta de conclusão dos laudos.
Apesar do aumento dos homicídios ocultos, o Tocantins foi um dos estados que apresentou maior redução nos homicídios registrados oficialmente no Brasil. Conforme o Atlas, a taxa de homicídios no Estado caiu 26,7% entre 2023 e 2024, ficando atrás apenas do Amapá entre as maiores reduções do País.A taxa de homicídios no estado caiu de 27,0 para 19,8 por 100 mil habitantes. A análise histórica também aponta que o estado vem apresentando queda consistente nos últimos anos, com redução de 34,4% na taxa entre 2019 e 2024.
O coordenador do Atlas da Violência e pesquisador do Ipea, Daniel Cerqueira, afirma que o crescimento das mortes violentas sem causa definida representa um problema na qualidade dos dados públicos sobre segurança.
Em todo o Brasil, o número de homicídios ocultos estimados passou de 3.755 para 7.083 entre 2023 e 2024, uma alta de 88,6%. Já as mortes violentas por causa indeterminada cresceram de 13.896 para 17.207 no período, atingindo o maior patamar da série histórica.
Os pesquisadores apontam que parte do problema está na falta de compartilhamento de informações entre polícias, institutos médicos legais e sistemas de saúde. Em muitos casos, o laudo inicial não identifica a motivação da morte e a atualização posterior dos dados não ocorre.
Para estimar os homicídios ocultos, o Atlas utiliza modelos de aprendizado de máquina que analisam características das vítimas e das ocorrências para identificar casos que provavelmente correspondem a assassinatos não contabilizados oficialmente.
O Jornal Opção Tocantins solicitou uma nota à Secretaria de Segurança Pública sobre o caso e aguarda retorno.
