Após laudo apontar contaminação, escola indígena no Tocantins terá fornecimento provisório de água mineral
06 setembro 2026 às 08h44

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Uma amostra de água coletada na Escola Indígena Waxiho Bedu, na Aldeia Kurehê, em Santa Fé do Araguaia, foi considerada imprópria para consumo humano após apresentar presença de Escherichia coli (E. coli). O exame foi realizado pelo Laboratório Central de Saúde Pública Regional (Lacen/TO), a pedido da Vigilância Sanitária do município.
A coleta ocorreu em 20 de agosto, em uma torneira localizada próxima ao reservatório da escola. O laudo, liberado em 21 de agosto, também identificou coliformes totais e apontou ausência de cloro na água no momento da coleta. A análise foi classificada como insatisfatória devido à presença de E. coli, bactéria que indica possível contaminação por fezes.
Após receber o resultado, a Vigilância Sanitária Municipal encaminhou, em 25 de agosto, um ofício à direção da escola cobrando providências. Entre as medidas solicitadas estão a instalação de tratamento para a água, limpeza do reservatório, manutenção do nível adequado de cloro e proteção do local de captação e armazenamento.
A Vigilância também orientou que o poço fique a pelo menos 15 metros de fossas, sumidouros ou outras possíveis fontes de contaminação. As recomendações têm como referência as normas do Ministério da Saúde para a qualidade da água destinada ao consumo humano.
DSEI diz acompanhar situação
Em nota, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Tocantins informou que acompanha a situação desde a coleta realizada em 20 de agosto e apoia os responsáveis pela análise na identificação da origem da bactéria.
Segundo o DSEI, a Aldeia Kurehê é abastecida por um poço e a água destinada ao consumo recebe tratamento dentro das próprias residências, por meio de filtros de barro e hipoclorito de sódio a 2,5%, fornecidos pelo distrito.
O órgão informou que uma análise realizada na aldeia em março deste ano apresentou resultado satisfatório. Após o resultado de agosto, o DSEI afirmou ter reforçado junto à comunidade as orientações sobre o uso do hipoclorito e dos filtros antes do consumo da água.
O distrito também informou que, até o momento, não foram registrados agravos à saúde entre indígenas relacionados à qualidade da água. A comunidade conta com um Agente Indígena de Saneamento, responsável por orientar os moradores.
Sobre a escola, o DSEI afirmou que a infraestrutura interna da unidade é de competência da Secretaria de Estado da Educação do Tocantins.
Segundo a Seduc, já foram adotadas providências para regularizar o abastecimento de água da Escola Estadual Indígena Waxiho Bedu, na Aldeia Kurehê, em Santa Fé do Araguaia. De acordo com a pasta, a implantação de um poço artesiano na unidade está em andamento e passa por adequações técnicas. Até a conclusão do serviço, a secretaria informou que fornecerá água mineral para o consumo dos estudantes e da comunidade escolar.
Comunidade cobra providências
A situação foi comentada pelo cacique da Aldeia Kurehê, Tevaldo Moreira Carajá, em vídeo publicado nas redes sociais. Ele pediu providências aos órgãos responsáveis pelo saneamento e afirmou que a comunidade enfrenta problemas relacionados à água tratada há mais de 15 anos: “Nós temos órgãos responsáveis por dar água tratada para nós indígenas. Isso é um direito que nós temos, que todos sabem: água é vida.”
O cacique também relatou casos de infecções entre crianças, adolescentes e adultos e demonstrou preocupação com possíveis consequências da situação.
Uma moradora da aldeia, Eidilane Karaja, fez relato semelhante e afirmou que a comunidade vem cobrando melhorias no saneamento há anos. Segundo ela, a população tomou conhecimento da contaminação após a análise realizada na escola.
