Ataídes de Oliveira tenta ocupar um espaço ainda pouco explorado entre os pré-candidatos ao governo do Tocantins em 2026: o de transformar o combate à corrupção na principal identidade pública da pré-campanha. Ex-senador e hoje filiado ao Partido Novo, Ataídes tem concentrado parte relevante de sua comunicação nas redes sociais em críticas à velha política, à gestão pública e ao que chama de necessidade de “limpar” o estado. Em um cenário no qual os demais pré-candidatos priorizam agendas ligadas à gestão, articulação política, obras, municipalismo ou formação de alianças, o empresário tenta consolidar um discurso mais voltado ao enfrentamento da corrupção como eixo central da candidatura.

O movimento ocorre em um ambiente político marcado por episódios que atravessam diferentes grupos da disputa estadual. A senadora Dorinha Seabra (UB), apontada como candidata à sucessão do governador Wanderlei Barbosa, integra a base do atual governo, que enfrentou operações da Polícia Federal relacionadas à distribuição de cestas básicas durante a pandemia. Wanderlei chegou a ser afastado do cargo no âmbito das investigações, que apuram supostos desvios ligados à área da assistência social quando ele ainda exercia o mandato de vice-governador. O governador nega irregularidades.

No grupo político do vice-governador Laurez Moreira (PSD), outro episódio do passado recente também permanece no debate político. O ex-governador Mauro Carlesse, hoje cotado para disputar o Senado na chapa ligada ao PSD, foi afastado do cargo por decisão judicial durante investigações sobre suspeitas de corrupção e acabou renunciando ao mandato. Carlesse também sempre negou ilegalidades.

Já o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), pré-candidato ao governo, teve o nome citado em reportagens relacionadas a investigações sobre movimentações financeiras envolvendo contas da esposa. O parlamentar nega qualquer irregularidade e não responde a condenações relacionadas ao caso.

Nesse ambiente, Ataídes parece buscar um contraste político mais direto. Enquanto os demais grupos tentam ampliar bases partidárias, atrair prefeitos e montar chapas competitivas para as eleições deste ano, o ex-senador sinaliza que pretende apostar em uma narrativa de ruptura com práticas tradicionais da política tocantinense. O discurso também dialoga com o histórico do Partido Novo, legenda que costuma explorar pautas ligadas à austeridade, redução do Estado e combate à corrupção.

A estratégia, porém, também impõe desafios. O debate eleitoral no Tocantins historicamente costuma gravitar em torno de estrutura política, alianças municipais e capacidade de articulação regional. Ataídes tenta inserir outro eixo no centro da disputa, buscando transformar a corrupção não apenas em tema de campanha, mas em marca pessoal da candidatura. Até aqui, entre os nomes colocados para o Palácio Araguaia, é o pré-candidato que mais explicitamente tem colocado essa pauta no primeiro plano da pré-campanha.