Ausência de acordo entre Irajá e Laurez teria fechado espaço para Cinthia e limitado avanço no grupo majoritário
14 abril 2026 às 17h26

COMPARTILHAR
A sequência de conversas envolvendo a ex-prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) com o senador Irajá Abreu (PSD) e o vice-governador Laurez Moreira (PSD) não teria avançado para um acordo após mudanças nas condições iniciais, especialmente em relação ao comando partidário, ponto considerado central pela entorno da ex-prefeita.
Segundo relatos de bastidores, a primeira conversa com Irajá teria ocorrido em tom aberto, com a possibilidade de Cinthia definir o formato de sua entrada, inclusive com margem para condução de uma legenda. Nesse momento, o PSB, sob influência do senador, aparecia como caminho possível.
Em um segundo momento, no entanto, o cenário teria mudado. A possibilidade de entrega do comando partidário deixou de estar colocada, e as alternativas passaram a girar em torno de composições sem esse nível de autonomia. A inflexão nas conversas é apontada como o ponto de ruptura nas tratativas.
Após essa mudança, Cinthia ainda teria buscado uma terceira via de diálogo, desta vez diretamente com o ex-prefeito de Recife, João Campos, presidente nacional do PSB. A conversa teria incluído temas como formação de nominatas e inserção no partido, mas também não resultou em definição.
A leitura que circula entre interlocutores é de que, entre a primeira e a segunda conversa, ganhou força a avaliação de que Cinthia, à frente de um partido, poderia construir uma candidatura própria ao governo. Esse cenário é tratado como um fator relevante para o recuo nas condições inicialmente apresentadas.
Irajá e Laurez atuam no mesmo campo político e são colocados como parceiros na construção de um projeto que tem o PSD como eixo. Nesse contexto, a possibilidade de uma candidatura competitiva fora desse arranjo, mas dentro da mesma faixa de eleitorado, teria sido vista como elemento de potencial tensão.
Além do PSB, o PDT, associado ao entorno de Laurez, também foi citado como alternativa ao longo das conversas. Em ambos os casos, no entanto, não houve avanço na direção de um acordo que contemplasse o comando partidário, o que, para alguns, mostrou falta de trato político do vice-governador em trazer a ex-prefeita para perto do projeto.
Interlocutores avaliam que a condução das tratativas acabou por limitar a incorporação de Cinthia ao grupo, mesmo diante do capital político que ela mantém, especialmente em Palmas. Ao mesmo tempo, pondera-se que a cessão de uma legenda poderia reconfigurar forças internas e abrir espaço para um possível projeto próprio com maior alcance.
