Bolsa Família terá reajuste de 15,04% e piso passará de R$ 600 para R$ 691
17 setembro 2026 às 16h48

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Os valores pagos pelo Bolsa Família serão reajustados em 15,04% a partir de outubro. A atualização foi formalizada nesta quinta-feira (17/9), após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar o Decreto nº 13.120, publicado em edição extra do Diário Oficial da União. O novo valor estará disponível aos beneficiários a partir de 19 de outubro.
Esta é a primeira atualização dos benefícios pela inflação desde a retomada do programa, em 2023. A correção considera a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.
Com a mudança, o piso do Bolsa Família, que atualmente é de R$ 600, passará para R$ 691. Já o benefício médio, considerando a soma dos demais benefícios pagos pelo programa, será elevado de R$ 675 para R$ 777, uma diferença nominal de aproximadamente R$ 100.
O Benefício de Renda de Cidadania, destinado a cada integrante da família beneficiária, passará de R$ 142 para R$ 164. O Benefício Primeira Infância, destinado às famílias que tenham crianças de zero a 7 anos incompletos em sua composição, será reajustado de R$ 150 para R$ 173.
O Benefício Variável Familiar, pago a gestantes, nutrizes e crianças e adolescentes de 7 anos a 18 anos incompletos que integrem as famílias beneficiadas, terá o valor alterado de R$ 50 para R$ 58.
Reposição pela inflação
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a atualização está prevista na legislação e declarou que a reposição inflacionária configura-se como uma medida de justiça social e visa garantir o poder de compra dos beneficiários do Bolsa Família, compostos pela população mais vulnerável do país.
Moretti também afirmou que a recomposição foi definida dentro das regras estabelecidas e considerando as questões fiscais. Segundo o ministro, a equipe econômica identificou espaço fiscal para realizar a medida nos termos previstos pela legislação. O valor será acomodado integralmente por meio de remanejamentos, sem aumento do limite global de despesas do Governo Federal.
A Lei nº 14.601/2023, responsável por recriar o atual modelo do Bolsa Família, estabelece que os valores dos benefícios podem ser corrigidos em um intervalo de, no máximo, 24 meses.
Ainda de acordo com Moretti, o governo deverá divulgar nos próximos dias um relatório de avaliação das despesas. O documento terá informações sobre o espaço fiscal identificado pela equipe econômica.
Para 2026, o impacto do decreto será de R$ 5,8 bilhões, considerando a folha de outubro. Para 2027, a estimativa é de aproximadamente R$ 22 bilhões.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que a retomada do Bolsa Família, em 2023, foi determinante para que o Brasil deixasse o Mapa da Fome. O levantamento estatístico da Organização das Nações Unidas (ONU) identifica os países onde 2,5% ou mais da população enfrenta subalimentação crônica.
O Brasil deixou o Mapa da Fome em 2025 e permanece fora do levantamento, conforme o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026” (SOFI, na sigla em inglês), divulgado em julho deste ano pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU).
Wellington Dias também destacou que o relatório mais recente da FAO-ONU aponta redução da insegurança alimentar severa no país. Segundo o documento, o índice chegou a 0,6%, o menor patamar da série histórica.
Renda e segurança alimentar
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Bolsa Família integra a estratégia do governo voltada às famílias mais vulneráveis. Ele também mencionou a atualização dos valores como uma forma de considerar a defasagem do poder de compra registrada entre 2023 e 2026.
Segundo Durigan, a correção monetária dos benefícios permite assegurar o poder de compra dos beneficiários do Bolsa Família. O ministro afirmou ainda que o governo atua em diferentes frentes para ampliar a renda da população, entre elas o estímulo ao emprego.
Durigan citou que o Brasil registra atualmente taxa de desemprego de 5,3% e recorde de rendimento médio do trabalho.
