Brasil bate recorde de 9,1 milhões de empresas inadimplentes; Tocantins soma mais de 74 mil CNPJs negativados
18 agosto 2026 às 15h39

COMPARTILHAR
O Tocantins contabilizou 74.338 empresas inadimplentes em junho de 2026, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O levantamento acompanha um cenário de deterioração nacional, que registrou mais de 9,1 milhões de CNPJs negativados, o maior número da série histórica, com um estoque de R$ 232,9 bilhões em dívidas.
No país, cada empresa inadimplente acumulou, em média, 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25,5 mil por CNPJ.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que o avanço da inadimplência mostra que o ambiente financeiro continua pressionando as empresas, apesar do início da redução da taxa Selic.
“Os dados mostram que a inadimplência segue avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic. Isso acontece porque as condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito.”
No Norte do país, o Tocantins aparece entre os estados com maior número de empresas inadimplentes, atrás apenas de Pará e Amazonas. O cenário reflete as dificuldades enfrentadas por empresas de diferentes portes para reorganizar o fluxo de caixa e manter as operações em um ambiente de crédito mais restritivo.
Em todo o Brasil, as micro e pequenas empresas continuam sendo as mais afetadas. Elas representam 8,6 milhões dos CNPJs negativados e concentram R$ 201,4 bilhões em dívidas.
Segundo Camila Abdelmalack, esse grupo sofre maior pressão porque depende mais do capital de giro para manter as atividades.
“Em um cenário em que os juros permanecem elevados e a desaceleração econômica tende a ganhar intensidade no segundo semestre, a gestão financeira passa a ser ainda mais decisiva para preservar a sustentabilidade dos negócios.”
Os dados da Serasa mostram ainda que 55,7% das empresas inadimplentes pertencem ao setor de serviços, seguido pelo comércio (32,2%), indústria (8%) e setor primário (0,9%). Quanto à origem das dívidas, predominam débitos com empresas de serviços (31,6%), bancos e cartões de crédito (19,5%), cooperativas (8,4%), utilities (6,9%) e telefonia (6%).
