Tocantins registra 34 casos de leishmaniose até julho; quatro são em Palmas
18 agosto 2026 às 14h00

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A leishmaniose visceral, doença que pode afetar seres humanos, cães e gatos, é transmitida pela picada do mosquito-palha, e soma 34 novos casos humanos no Tocantins até julho deste ano, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO). Em Palmas, foram confirmados quatro casos, sendo dois com coinfecção pelo HIV. Como forma de combate, a Capital recebe, até sexta-feira, 21, a Semana das Leishmanioses 2026, promovida pela Secretaria Municipal da Saúde (Semus), com ações de prevenção, vigilância, capacitação e educação em saúde.
Em 2025, o Tocantins registrou 63 novos casos de leishmaniose visceral humana e um óbito, em Dianópolis. No mesmo ano, 6.602 cães foram identificados como positivos para a doença entre 36.588 animais examinados.
Em Palmas, foram confirmados três casos humanos em 2025, sendo um deles com coinfecção pelo HIV. Segundo a Semus, o município segue realizando ações de vigilância, prevenção e controle da Leishmaniose Visceral no município. O trabalho inclui o acompanhamento contínuo dos casos, com atenção especial às situações de coinfecção, que exigem acompanhamento pela rede de saúde. As medidas buscam ampliar a identificação e o monitoramento dos pacientes, além de orientar a população e fortalecer as estratégias de proteção e prevenção.
Transmissão e prevenção
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o médico-veterinário Laércio Duarte explica que a transmissão ocorre por meio da picada da fêmea do mosquito flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha. O inseto pode se infectar ao picar um animal contaminado e, posteriormente, transmitir o parasita durante uma nova picada.

“A transmissão acontece principalmente por causa do mosquito fêmea, conhecido popularmente como mosquito-palha. Ele vai se alimentar de um animal infectado e, consequentemente, posteriormente, vai fazer a transmissão da leishmaniose. Acontece principalmente por causa da picada do mosquito flebotomíneo, o mosquito-palha, conhecido popularmente”, explicou o médico-veterinário.
Segundo Laécio, o mosquito ingere o parasita ao picar um animal infectado e pode transmiti-lo a outro animal durante uma nova picada, mantendo o ciclo de transmissão. “Acontece através da picada desse mosquito. Ele pica o animal que está infectado, vai ingerir o parasita e, consequentemente, posteriormente, vai ter a renovação desse ciclo. Ao picar novamente outro animal que esteja saudável, ele vai transmitir esse parasita para o próximo animal, renovando o ciclo de contaminação e de transmissão da leishmaniose”, detalhou Laécio.
Entre as medidas de prevenção, o veterinário cita a limpeza dos quintais e a retirada de materiais orgânicos, como folhas. Ele também menciona que a criação de galinhas é proibida em regiões urbanas de Palmas. “Nessa questão, acredito que o básico funciona. Uma limpeza efetiva já vai ajudar bastante. Tirar material orgânico do seu quintal, folhas, não criar galinhas. Inclusive, em Palmas, é proibido criar galinhas em regiões urbanas. Então, o básico já vai ajudar bastante nessa questão”, afirmou.
O uso de produtos repelentes também é apontado pelo profissional como uma medida de proteção dos cães. Ele cita coleiras com duração de quatro a oito meses, além de pipetas e citronela. “Podemos colocar coleiras repelentes no animal. Existem coleiras que protegem a partir de quatro meses até oito meses. E também as pipetas, que são mais acessíveis e ajudam a repelir. O mais básico é a citronela, um repelente que você passa duas vezes ao dia e ajuda bastante nessa questão”, destacou o veterinário.
Laécio também esclarece que o cão infectado não transmite a leishmaniose diretamente às pessoas por meio do contato físico. Segundo ele, a transmissão depende da participação do mosquito. “O primeiro ponto é entender que o animal é uma vítima. Assim como nós podemos ser também uma vítima da leishmaniose. O grande vilão é o mosquito. Ele que faz a transmissão. O animal não vai fazer a transmissão. Ele não vai transmitir brincando com você, lambendo você ou tendo um convívio dentro da casa. Isso não existe. Não existe essa possibilidade de transmissão”,esclareceu.
A doença é considerada zoonótica porque pode acometer animais e seres humanos. O veterinário reforça que o cão não é responsável pela transmissão direta da doença para as pessoas. “Outro ponto a entender é que é uma questão de saúde pública. É uma doença zoonótica. Assim como o pet pode pegar, o humano também pode pegar. Mas não vai ser o cachorro que vai transmitir a leishmaniose para o homem, e sim o mosquito”, reforçou.
Programação
A Semana das Leishmanioses, que começou nesta segunda-feira, 17, segue até sexta-feira, 21, com atividades voltadas a profissionais de saúde, moradores e estudantes. A programação começou com uma oficina sobre processamento e transporte de amostras de sangue canino para diagnóstico sorológico, destinada a agentes de saúde.
Nesta terça-feira, 18, o Dia D de Integração Saúde-Comunidade será realizado na Unidade de Saúde da Família Satilo Alves de Sousa, na Arso 111 (1.103 Sul), com orientações à população. Também haverá encoleiramento de cães na Arso 151 (1.503 Sul), além de visitas aos moradores para orientações sobre prevenção, testagem para Leishmaniose Visceral Canina e uso de coleiras.
Na quarta-feira, 19, está prevista uma oficina de campo com simulação de coleta de sangue para agentes comunitários de saúde. Já na quinta-feira, 20, das 16 às 21 horas, haverá uma ação de educação em saúde na Feira da Arse 112 (1.106 Sul).
O encerramento ocorre na sexta-feira, 21, com visita guiada e oficina educativa para alunos da Escola de Tempo Integral Santa Bárbara, na sede da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ).
