BRB aprova plano de recapitalização que pode ultrapassar R$ 11 bilhões
22 abril 2026 às 16h44

COMPARTILHAR
Nesta quarta-feira, 22, os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram a proposta de aumento de capital da instituição estatal, que possui o Governo do Distrito Federal (GDF) como principal acionista, com 53,7% das ações. A Assembleia Geral Extraordinária aprovou a medida que prevê que o banco emita ações ordinárias e preferenciais até o limite de R$ 8,81 bilhões. Cada ação será emitida por R$ 5,36 no mercado para subscrição privada.
Com a emissão das ações, a expectativa dos dirigentes do BRB é de que o capital social do banco passe dos atuais R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões, enquanto o máximo previsto chegaria a R$ 11,16 bilhões. De acordo com a instituição, o aumento de capital visa assegurar níveis adequados de capitalização do banco; ampliar a capacidade de crescimento das operações da companhia e reforçar sua estrutura de capital, fortalecendo seus indicadores prudenciais e patrimoniais.
Os acionistas autorizaram o Conselho de Administração do banco a tomar todas as providências necessárias ao aumento de capital para afirmar a proposta. Além disso, também foram homologadas na assembleia as nomeações do atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, e de Joaquim Lima de Oliveira e de Sergio Iunes Brito para o Conselho de Administração.
Histórico
Em novembro de 2025, foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal expôs um esquema de fraudes financeiras, tornando público que o BRB teve um prejuízo bilionário ao adquirir créditos do Banco Master.
O controlador do Master, Daniel Vorcaro está preso desde o início de março deste ano. A investigação também resultou no afastamento e na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC). O ex-executivo é suspeito de envolvimento em crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Na segunda-feira, 20, o BRB anunciou que assinou um memorando de entendimento com a empresa gestora de fundos de investimentos Quadra Capital para se desfazer de ativos comprados do Banco Master. A gestora se comprometeu a pagar, à vista, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões pelos créditos que o BRB adquiriu do Master, e mais R$ 11 bilhões ou R$ 12 bilhões, a depender dos resultados alcançados na cobrança destes títulos.
A operação de cobrança dos créditos será feita por um fundo de investimento para a gestão e monetização dos ativos, do qual o BRB e a Quadra terão ações. A negociação ainda precisa ser analisada pelo Banco Central (BC).
