Candidata a deputada federal, delegada Sarah Lilian é alvo de ataques virtuais; sindicato repudia
26 agosto 2026 às 15h36

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A delegada Sarah Lilian de Souza Rezende, candidata a deputada federal e titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Araguaína, passou a ser alvo de ataques nas redes sociais após orientar um homem a procurar uma unidade policial para formalizar uma denúncia de suposto assédio. O caso motivou uma nota de repúdio divulgada nesta quarta-feira, 26, pelo Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Tocantins (Sindepol-TO).
Segundo a entidade, a delegada estava legalmente afastada do exercício das funções policiais em razão da desincompatibilização eleitoral para disputar um cargo eletivo. A orientação dada ao denunciante teria ocorrido no dia 24 de agosto.
Conforme o sindicato, Sarah Lilian foi procurada por Emerson da Rocha, conhecido como “Rocca”, que pretendia comunicar uma suposta prática de assédio. A delegada teria informado sua condição funcional e orientado que a denúncia fosse formalizada pelos canais institucionais competentes.
Sindicato afirma que houve exposição nas redes
Na nota, o Sindepol afirma que, após a orientação, Emerson da Rocha passou a publicar manifestações nas redes sociais e em grupos de WhatsApp contra a delegada, atribuindo a ela suposta omissão funcional.
A entidade classificou as publicações como ofensivas e depreciativas e afirmou que houve tentativa de exposição pública da policial. O sindicato também declarou que a liberdade de expressão não pode ser usada para justificar ameaças, ofensas à honra, perseguições ou divulgação indevida de informações pessoais.
Os fatos, segundo o Sidenpol, foram registrados e encaminhados às autoridades competentes. A entidade informou ainda que houve pedido de medida protetiva de urgência.
Atuação na Deam de Araguaína
Na manifestação, o sindicato destacou a atuação de Sarah Lilian à frente da Deam de Araguaína, onde ela atua há mais de sete anos no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica.
A entidade citou projetos desenvolvidos pela delegada, como o Projeto Fênix, a Caminhada Agosto Lilás e o Fortes por Natureza, além da atuação dela como professora de Direito Penal e Criminologia e da passagem pela presidência do próprio SINDEPOL entre 2020 e 2021.
O sindicato ainda afirmou que acompanhará os desdobramentos do caso e adotará medidas jurídicas e administrativas para defender a delegada e as prerrogativas da carreira.
Delegada afirma que ataques têm motivação machista e política
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, Sarah Lilian afirmou que vê os ataques como uma tentativa de desestabilização e relacionou as manifestações ao fato de ser mulher e estar disputando uma vaga eletiva.
“Eu vejo isso tudo como mais uma ação de tantas que a gente vê para diminuir a mulher, para desestabilizar, para que eu não alcance o meu espaço. É um ataque totalmente machista, feito motivado por uma ação totalmente profissional minha”, declarou.
A delegada disse que agiu dentro das atribuições profissionais ao orientar o denunciante a procurar os canais oficiais para registrar a reclamação, já que estava afastada das funções por causa da desincompatibilização eleitoral.
“Eu fui profissional quando eu respondi e a minha atuação enquanto delegada sempre foi totalmente profissional”, afirmou.
Sarah Lilian também disse acreditar que as críticas têm relação com procedimentos policiais realizados anteriormente contra Emerson da Rocha. Segundo ela, houve atuação em investigações que resultaram em medidas judiciais contra ele.
“Esse ódio dele é porque eu já atuei em procedimentos em desfavor dele, até mesmo com busca e apreensão, no qual resultou prisão em flagrante por ele ter uma arma de fogo em casa, por ele ter uma posse irregular de arma de fogo”, afirmou.
A candidata também classificou as manifestações como uma forma de agressão política e psicológica e disse que os ataques passaram a envolver sua atuação eleitoral.
“Ele tem falado muito na minha atuação hoje como candidata, pedindo para não votarem, uma coisa que não tem nada a ver com o que motivou tudo isso”, declarou.
