Escritor de Araguaína, jjLeandro é semifinalista do Prêmio Oceanos 2026 com “Mobília Humana”
26 agosto 2026 às 16h34

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O escritor jjLeandro, pseudônimo literário de José Leandro Bezerra Júnior, está entre os semifinalistas do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa 2026 com o livro de contos “Mobília Humana”. Morador de Araguaína, no norte do Tocantins, o autor teve a obra selecionada na categoria prosa, uma das mais disputadas da premiação.
A edição deste ano anunciou 54 livros semifinalistas, sendo 26 títulos de prosa e 28 de poesia, escolhidos entre 3.086 obras inscritas por autores de 13 nacionalidades. A seleção reúne escritores de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal, publicados por selos editoriais brasileiros, moçambicanos e portugueses.
Além de “Mobília Humana”, outro livro publicado pela mesma editora independente também avançou na premiação: o romance “Niemand”, de André Klodja, está entre os semifinalistas da categoria prosa. Em 2025, a editora já havia chegado à semifinal do Oceanos com o livro de poesia “O coração do deserto é azul”, do poeta Fiori Esaú Ferrari.
Para jjLeandro, a classificação representa o resultado de um processo de busca por ampliar o alcance da própria produção literária.
“É o resultado de um trabalho que desenvolvo há algum tempo com vistas a dar mais visibilidade ao que escrevo. Há uns dois anos mudei completamente o roteiro de como buscar chegar ao público com a literatura”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção Tocantins.
Segundo o escritor, alcançar leitores é um dos principais desafios para autores que ainda não possuem grande reconhecimento nacional.
“O leitor continua sendo o objetivo da literatura, ela é escrita para ser lida, seja minha ou de outro qualquer. Mas chegar até ele no Brasil é complicado, por vários motivos. Entre eles, o baixo engajamento à leitura; também devido à enorme quantidade de autores disponíveis, há da parte do leitor uma grande desconfiança acerca da qualidade da farta literatura disponível”, disse.
Ele avalia que a presença em uma premiação internacional ajuda a ampliar a visibilidade de escritores independentes.
“A partir dessa realidade é indispensável a chancela de um grande prêmio como selo de qualidade. Não deveria ser assim, mas é”, afirmou.
Reconhecimento para a literatura do Tocantins
Para ele jjLeandro, a classificação no Oceanos representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma oportunidade de dar visibilidade à produção literária feita no Tocantins.
“Recebi a notícia com grande alegria. Eu buscava essa classificação e ir além dela é o que almejo, e continuarei lutando. Para mim, e para a literatura produzida no Tocantins, é uma oportunidade de sairmos da invisibilidade autoral e mostrarem que aqui também temos literatura”, afirmou.
O escritor também destaca que o reconhecimento serve como estímulo para continuar produzindo.
“Me revigora os ânimos para continuar escrevendo, porque há quem vê qualidade nisso”, declarou.
A obra foi escolhida em meio a milhares de inscrições de autores de diferentes países de língua portuguesa. Para jjLeandro, a semifinal já representa uma conquista relevante independentemente do resultado final.
“Entendo que é uma conquista de imenso valor. Ainda que não chegue à final ou não ganhe a premiação, terá sido sumamente importante. Primeiro, porque é uma resposta a meus esforços; segundo, uma inestimável oportunidade de lançar ao mundo meus escritos”, afirmou.
Livro retrata pessoas comuns tratadas como “mobília”
Em “Mobília Humana”, jjLeandro reúne contos curtos que apresentam histórias de personagens comuns e situações do cotidiano. O título da obra faz referência à forma como algumas pessoas são tratadas pela sociedade, segundo o autor.
“Mobília Humana traz a história de gente comum, gente que a sociedade trata como mobília, daí o título, porque essas peças são descartadas quando sem mais serventia”, explicou.
O livro segue uma tendência contemporânea do conto breve, com narrativas enxutas, algumas com menos de uma página. O autor cita escritores brasileiros como Dalton Trevisan, Moacyr Scliar e João Gilberto Noll como referências desse tipo de construção narrativa.
“Essa forma de contar histórias tem grandes representantes dentro da literatura nacional. Dois autores gaúchos, Moacyr Scliar e João Gilberto Noll, desenvolveram também excelentes trabalhos com contos curtos”, afirmou.
Próximas etapas do Prêmio Oceanos
A próxima fase do Oceanos será conduzida por dois júris intermediários, um responsável pela categoria prosa e outro pela poesia. Os grupos são formados por 12 integrantes de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal e terão até 12 de outubro para avaliar os semifinalistas e escolher cinco livros de cada categoria que avançam para a final.
O júri de prosa reúne Álvaro Taruma, de Moçambique; João Fernando André, de Angola; Carola Saavedra e Felipe Munhoz, do Brasil; e Sara Figueiredo Costa e José Mário Silva, de Portugal.
Na poesia, participam Leopoldina Fekayamãle, de Angola; Francisco Guita Jr., de Moçambique; Fernando Paixão e Natasha Félix, do Brasil; e Maria Antónia Oliveira e Maria João Cantinho, de Portugal.
Os dez finalistas serão avaliados por um novo júri internacional, que escolherá os vencedores das categorias prosa e poesia.
