Caso Gustavo: madrasta pede para trocar prisão por domiciliar para amamentar filha de 5 meses
07 agosto 2026 às 11h12

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A defesa de Kathellen Moreira da Silva informou à imprensa que irá pedir à Justiça a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, alegando que a investigada é mãe de uma bebê de cinco meses e ainda está em período de amamentação.
Kathellen foi presa preventivamente no inquérito que investiga a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, nesta quarta-feira, 5. A Polícia Civil apura a participação dela e do pai da criança, Igor Gustavo Veloso de Sousa, no caso. Segundo o delegado Eduardo Menezes, responsável pela investigação na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas, ainda não há elementos que indiquem participação direta da madrasta nas agressões, mas a polícia investiga uma possível omissão.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, 6, o advogado Júlio César Suarte afirmou que recebeu “com bastante surpresa” a decisão que decretou a prisão preventiva de Kathellen. Segundo a defesa, a decisão não teria apresentado uma conduta concreta atribuída a ela que justificasse a aplicação da medida cautelar considerada mais gravosa.
O advogado também argumenta que a condição pessoal da investigada como mãe lactante deveria ter sido analisada antes da decretação da prisão. Conforme a defesa, a custódia de Kathellen e do pai da bebê provocou a separação da criança dos dois genitores.
“Kathellen é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade”, afirmou a defesa, ao sustentar que a situação deveria ser considerada na análise de medidas alternativas à prisão.
A defesa informou ainda que Kathellen se apresentou espontaneamente para cumprir a ordem judicial. Para o advogado, a apresentação demonstraria “boa-fé” e disposição para colaborar com as investigações.
Investigação aponta possível omissão
A prisão de Kathellen foi solicitada pela Polícia Civil após a análise dos elementos reunidos durante a investigação sobre a morte de Gustavo.
Segundo o delegado Eduardo Menezes, a madrasta teria exercido funções de cuidado sobre a criança durante os períodos em que o menino permanecia na residência do pai. Em depoimento, conforme relatado pela polícia, Kathellen afirmou que participava da rotina de Gustavo, incluindo cuidados como alimentação e higiene.
A partir desses relatos, os investigadores passaram a avaliar a possibilidade de que ela pudesse ser considerada uma pessoa com dever de proteção sobre a criança, condição conhecida juridicamente como garantidora, e que eventual omissão diante de agressões pudesse gerar responsabilização caso seja comprovada.
O delegado afirmou que a investigação ainda busca esclarecer a dinâmica familiar, o que cada envolvido sabia sobre a situação da criança e qual foi a participação de cada pessoa nos dias que antecederam a morte.
O inquérito segue em andamento, com novas diligências e perícias previstas.
