A decisão da Justiça que determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares investigados por suposta participação na chacina de Miracema do Tocantins nesta sexta-feira, 8, detalha uma série de indícios de destruição e ocultação de provas ao longo das investigações sobre os crimes ocorridos em fevereiro de 2022.

Segundo o documento expedido pelo Colegiado de Juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema, há suspeitas de adulteração de sistemas de rastreamento de viaturas policiais, desligamento estratégico de celulares e desaparecimento de equipamentos que poderiam esclarecer a dinâmica dos assassinatos.

As medidas foram autorizadas no âmbito da investigação que apura a morte de sete pessoas entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022, em episódios ocorridos após o assassinato do sargento da Polícia Militar Anamon Rodrigues de Sousa.

De acordo com a decisão judicial, investigadores identificaram que policiais teriam recolhido HDs de câmeras de segurança de um posto de combustíveis onde ocorreu a abordagem inicial de vítimas do caso registrado no loteamento Jardim Buriti. Posteriormente, os dispositivos teriam sido dados como furtados de uma viatura policial.

A Justiça também aponta indícios de adulteração de dados de geolocalização de veículos oficiais utilizados durante as ações investigadas. Conforme a decisão, houve suspeitas de manipulação dos sistemas de GPS das viaturas para ocultar deslocamentos realizados nos dias dos crimes.

Outro ponto destacado pelos magistrados é o desligamento estratégico de aparelhos celulares por parte de investigados durante o período em que os assassinatos ocorreram. Para os juízes, as medidas indicam possível tentativa coordenada de dificultar o rastreamento dos envolvidos e comprometer a produção de provas.

Na decisão, os magistrados afirmam que os fatos representam “violenta afronta ao Estado Democrático de Direito”, citando o suposto uso da estrutura pública para a prática dos crimes. O documento menciona ainda utilização de viaturas oficiais, armamento estatal e redes de comunicação institucionais.

Os juízes Marcello Rodrigues de Ataídes, Renata do Nascimento e Silva e Valdemir Braga de Aquino Mendonça entenderam que a liberdade dos investigados poderia representar risco à instrução criminal, diante da capacidade de influência sobre testemunhas e possibilidade de destruição de novos elementos probatórios.

Além das prisões preventivas, a Justiça determinou o afastamento imediato dos policiais das funções públicas, suspensão do porte de armas, proibição de acesso a unidades policiais e impedimento de contato com testemunhas, familiares das vítimas e investigadores. (Com informações do g1 Tocantins)