Um circuito especial de cine debate vai levar a diferentes cidades do Tocantins o documentário “O Evangelho da Revolução”, dirigido por François-Xavier Drouet. A programação celebra os 40 anos do martírio do Padre Josimo (1953–1986), figura histórica ligada à luta por direitos sociais no campo.

A iniciativa propõe a exibição do filme e momentos de discussão com o público sobre temas como reforma agrária, acesso à terra, água e moradia. A obra aborda a atuação de lideranças populares e a influência da Teologia da Libertação na América Latina, destacando trajetórias marcadas por resistência e organização social.

O circuito passa por diferentes municípios do estado ao longo do mês de maio, com sessões gratuitas e abertas ao público.

Programação

  • Arraias — 01 de maio, às 19h, no auditório do prédio 3P da UFT
  • Palmas — 05 de maio, às 19h, na UFT (Cine Capivara, bloco B)
  • Araguatins — 06 de maio, às 19h, no salão da Paróquia Jesus Bom Pastor
  • Porto Nacional — 08 de maio, às 9h, no Comsaúde
  • Imperatriz (MA) — 13 de maio, às 18h, na UEMASUL
  • Araguaína — 15 de maio, às 19h, no campus da UFNT
  • Tocantinópolis — 19 de maio, às 19h, no Centro de Humanidades e Saúde da UFNT

A proposta, segundo os organizadores, é fortalecer a memória de Padre Josimo e promover reflexão sobre conflitos agrários e direitos sociais ainda presentes na região.

O convite é aberto ao público e objetiva reforçar a importância de revisitar a história como forma de compreender os desafios atuais ligados à justiça social no campo.

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Programação | Foto: Reprodução

Quem foi Padre Josimo

Padre Josimo Morais Tavares foi um sacerdote católico brasileiro conhecido por sua atuação em defesa de trabalhadores rurais e pequenos agricultores no norte do país, especialmente na região que hoje corresponde ao Tocantins.

Nascido em 1953, ele se destacou nos anos 1980 como coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região do Bico do Papagaio. Nesse período, passou a denunciar conflitos fundiários, grilagem de terras e violência contra camponeses, enfrentando diretamente interesses de grandes proprietários rurais.

Sua atuação estava ligada à chamada Teologia da Libertação, que defende o compromisso da Igreja com os pobres e a justiça social. Padre Josimo apoiava comunidades na organização por acesso à terra, direitos básicos e melhores condições de vida.

Por causa desse trabalho, passou a sofrer ameaças constantes. Em 10 de maio de 1986, foi assassinado a tiros em Imperatriz, crime que teve grande repercussão nacional e internacional e se tornou símbolo da violência no campo no Brasil.

Hoje, Padre Josimo é lembrado como um mártir da luta pela reforma agrária e pelos direitos humanos, especialmente na região do Bico do Papagaio, onde sua atuação teve forte impacto.