A Polícia Civil identificou como Lincon Diego Pereira o homem apontado como responsável por um esquema de invasão a sistemas de segurança pública e comercialização de dados sigilosos. Ele foi preso nesta quarta-feira, 29, no Paraguai, após deixar o Brasil ao suspeitar que estava sendo investigado.

A captura ocorreu durante a Operação Rollback, conduzida pela Polícia Civil do Tocantins com apoio de corporações de outros estados, além da Polícia Federal e da polícia paraguaia. Após a detenção, o investigado foi entregue às autoridades brasileiras e segue custodiado em uma unidade penal no Paraná.

De acordo com as investigações, Lincon Diego teria estruturado uma rede de servidores virtuais para acessar, de forma automatizada, sistemas policiais e de Departamentos Estaduais de Trânsito. O acesso ocorria a partir de credenciais obtidas por meio de phishing, técnica usada para enganar agentes de segurança e capturar logins e senhas.

Os dados extraídos incluíam informações sigilosas sobre pessoas e veículos, que eram posteriormente vendidos em plataformas clandestinas na internet. A atuação teria atingido sistemas de pelo menos cinco estados, Tocantins, Piauí, Amazonas, Maranhão e Paraná.

Para dificultar o rastreamento, o suspeito utilizava ferramentas de anonimização, como redes privadas virtuais, simulando conexões internacionais. A Polícia Civil estima que, em cerca de 40 dias, o esquema tenha gerado lucro de aproximadamente R$ 90 mil, com possibilidade de alcançar até R$ 6 milhões desde o início das atividades, em 2023.

As apurações também indicam que o investigado mantinha uma empresa de fachada voltada à análise de crédito, utilizada para lavagem de dinheiro. Nas redes sociais, ele exibia um padrão de vida elevado, com aquisição de imóveis de alto valor.

Durante diligências em endereços vinculados a Lincon Diego, em Paranavaí (PR), foram apreendidos um computador utilizado nas invasões e uma arma. A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros ligados ao suspeito.

A operação segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no acesso irregular e na venda de dados institucionais.

*Com informações do G1 Tocantins