Uma vistoria feita no fim de 2025, na Escola de Tempo Integral Eurídice Ferreira de Melo, em Palmas, encontrou um contraste na merenda escolar: a comida servida aos alunos não apresentava problema, mas o ambiente onde ela era armazenada e preparada acumulava falhas.

O registro consta em relatório do Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CMAE), que esteve na unidade em dezembro. O documento descreve ovos com mau cheiro, alimentos com presença de larvas e um depósito tratado como desorganizado.

Também aparecem apontamentos sobre limpeza inadequada de cozinha e refeitório, falta de equipamentos de proteção para merendeiras e equipe reduzida para dar conta da rotina. A partir desse material, o Ministério Público do Tocantins abriu Inquérito Civil Público para acompanhar o caso e verificar as condições de alimentação na unidade.

O procedimento se concentra na escola onde as irregularidades foram registradas, mas não descarta avanço para outras unidades se surgirem novos indícios. O próprio relatório indica que, no momento da vistoria, não havia problema na qualidade aparente da comida distribuída. As falhas se concentravam nos bastidores do serviço, armazenamento, higiene e organização.

Entre os pontos sob análise estão o destino de alimentos considerados impróprios, a regularização dos espaços de preparo e estoque e a oferta de equipamentos de proteção aos trabalhadores. O documento também menciona interrupções no cardápio relacionadas a falhas logísticas no abastecimento.

A Vigilância Sanitária foi acionada para uma nova inspeção na unidade, com foco nas condições atuais de higiene, manipulação e armazenamento dos alimentos.

Outro lado

Em nota, a Prefeitura de Palmas informou ao Jornal Opção Tocantins que a situação foi verificada pelo conselho ainda em dezembro de 2025 e que os alimentos impróprios foram descartados na ocasião. Segundo a gestão, desde 2 de fevereiro de 2026 a execução da merenda passou a ser feita pela empresa Seja Serviços e Terceirizações, dentro de um modelo de padronização do serviço na rede municipal.

A Secretaria Municipal da Educação afirma que os processos atuais seguem diretrizes sanitárias e que alimentos com qualidade comprometida são descartados conforme normas técnicas, com inutilização antes do descarte.

A pasta sustenta ainda que os espaços de armazenamento, preparo e consumo atendem aos critérios de higiene e organização, que os profissionais receberam equipamentos de proteção e que a equipe está completa, com 11 trabalhadores. Sobre o abastecimento, a prefeitura informa que há entregas semanais de gêneros alimentícios e fornecimento regular de hortifrúti.

A gestão acrescentou ainda que a unidade está em processo de regularização do alvará sanitário, com providências em andamento.