Tocantins registrou 427 notificações de intoxicação por agrotóxicos em 2025; alta é de 8,7% em relação ao ano anterior
01 maio 2026 às 16h24

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O Tocantins registrou 427 notificações de intoxicação por agrotóxicos em 2025, número 8,7% maior que o contabilizado em 2024, quando foram notificadas 393 ocorrências. Os dados do Ministério da Saúde levantados pelo Jornal Opção Tocantins revelam um cenário marcado pela predominância de trabalhadores rurais, exposição a produtos agrícolas e alta incidência entre homens jovens.
As informações mostram que o maior percentual de notificações por escolaridade está entre pessoas com ensino médio completo, responsáveis por 24,59% dos registros. Em seguida aparecem os casos ignorados ou sem informação, com 24,36%, além dos registros classificados como “não se aplica”, que representam 15,69%.
Entre os níveis de escolaridade identificados, trabalhadores com 5ª a 8ª série incompleta do ensino fundamental concentram 9,37% das notificações. Já os que possuem ensino médio incompleto somam 7,03%. Pessoas com ensino superior completo representam 3,75% dos casos.
Homens jovens concentram notificações
O perfil etário e de sexo aponta maior concentração de casos entre trabalhadores de 20 a 29 anos, principalmente homens, que representam 19% das notificações. As mulheres da mesma faixa etária correspondem a 6%.
Na sequência aparecem trabalhadores de 40 a 49 anos, com 11% das notificações masculinas e 4% femininas, além da faixa de 30 a 39 anos, que concentra 9% dos registros entre homens e 7% entre mulheres.
Os dados também mostram predominância masculina em praticamente todas as faixas etárias analisadas.
Pardos representam 81% dos casos
Em relação à raça/cor, a maioria das notificações envolve pessoas pardas, responsáveis por 81% dos registros. Pessoas brancas representam 9% dos casos e pessoas pretas somam 7%. Indígenas e amarelos correspondem a 1% cada.
Embora parte significativa das notificações esteja ligada ao contexto rural, apenas 28,57% dos registros foram oficialmente classificados como relacionados ao trabalho. Outros 66,04% não receberam essa classificação, enquanto 5,39% aparecem como ignorados ou sem informação.
Residências lideram locais de exposição
O levantamento aponta que 66% das notificações ocorreram em residências. O ambiente de trabalho aparece em seguida, com 26% dos casos.
Outros locais, como ambiente externo e trajeto do trabalho, apresentam percentuais menores. Escola, creche e serviços de saúde praticamente não registraram ocorrências.
Entre as culturas agrícolas associadas às notificações, a soja lidera com 38% dos casos, seguida pelas pastagens, com 25%. Milho e abacaxi aparecem com 6% cada, enquanto arroz e feijão concentram 4%.
Pulverização aparece entre principais atividades
As notificações relacionadas às atividades desempenhadas no momento da exposição indicam que 25% dos casos ocorreram durante pulverização de agrotóxicos. Outros 15% aconteceram durante processos de diluição.
Os registros classificados como ignorados ou sem informação chegam a 40%, enquanto atividades de desinsetização e outras ações representam 5% cada.
Ingestão digestiva é principal via de exposição
A principal forma de contato com os produtos tóxicos foi por ingestão digestiva, responsável por 43% das notificações. As exposições respiratórias aparecem em seguida, com 34%, e as cutâneas representam 13%.
O levantamento também chama atenção para as circunstâncias das intoxicações. Casos acidentais representam 41% das notificações, mas as tentativas de suicídio somam 26% dos registros.
Além disso, 15% das ocorrências estão relacionadas ao uso habitual dos produtos e 12% a exposições ambientais.
Agrotóxicos agrícolas predominam
Quase metade das notificações, 48,95%, envolve agrotóxicos de uso agrícola. Os raticidas aparecem em 21,78% dos casos e os agrotóxicos de uso doméstico representam 21,08%.
Os produtos veterinários concentram 7,03% das notificações.
Quanto ao tipo de exposição, a maioria dos casos foi classificada como aguda única, com 74,94% das ocorrências. As exposições crônicas representam 13,35%, enquanto os casos de exposição aguda repetida correspondem a 11,48%.
Trabalhadores rurais lideram notificações
O perfil ocupacional mostra que trabalhadores agropecuários em geral representam 57% das notificações. Trabalhadores volantes da agricultura somam 15%.
Também aparecem empregados domésticos em serviços gerais, produtores agropecuários e tratoristas agrícolas, cada grupo com 5% das ocorrências.
Maioria evoluiu para cura sem sequelas
Segundo o relatório, 92% dos casos tiveram evolução para cura sem sequelas. Outros 2% evoluíram com sequelas permanentes e 2% resultaram em óbito por intoxicação exógena.
Na classificação final das notificações, 53% dos casos foram confirmados como intoxicação, enquanto 31% foram classificados apenas como exposição. Reações adversas representam 11% dos registros.
Adapec regulamenta o uso no Tocantins
A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) afirmou que o uso de agrotóxicos no Brasil segue regulamentação federal e que somente produtos com registro ativo podem ser comercializados e utilizados no país. Segundo o órgão, a liberação ocorre após avaliações técnicas realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), considerando critérios relacionados à eficiência agronômica, saúde pública e impactos ambientais.
A Agência destacou ainda que substâncias como paraquate, endossulfam, carbofurano e metamidofós tiveram o uso proibido no Brasil após análises técnicas apontarem riscos à saúde humana e ao meio ambiente, o que, segundo a Adapec, demonstra a atualização constante dos mecanismos de controle.
De acordo com o órgão, o uso inadequado de agrotóxicos pode provocar danos ambientais e intoxicações, motivo pelo qual a instituição mantém ações permanentes de fiscalização, orientação técnica e educação sanitária em todo o Tocantins.
A Adapec informou que realiza fiscalização em todas as etapas da cadeia de agrotóxicos, incluindo produção, transporte, armazenamento, comercialização, aplicação e devolução de embalagens vazias. O trabalho é executado por 91 profissionais ligados à defesa vegetal. Apenas em 2025, foram registradas 3.435 ações de fiscalização relacionadas ao tema no estado.
Entre as iniciativas desenvolvidas, a Agência citou o programa de recebimento itinerante de embalagens vazias, direcionado principalmente a pequenos e médios produtores rurais. Conforme os dados apresentados, mais de 1.600 produtores foram atendidos neste ano, com recolhimento superior a 61 toneladas de embalagens em 40 edições da ação.
O órgão também ressaltou que o Brasil possui políticas públicas voltadas à regulação e monitoramento do uso de agrotóxicos, além de incentivar práticas consideradas mais sustentáveis, como manejo integrado de pragas, utilização de bioinsumos e capacitação de produtores rurais.
