A Polícia Federal (PF) apontou que o Garimpo Cururu, um dos principais pontos de extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, passou a ser controlado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). De acordo com a investigação, o grupo atuava inicialmente apenas na segurança armada dos garimpeiros. No entanto, após ampliar sua presença na região a partir de 2023, a facção assumiu o controle das áreas de mineração ilegal.

Ainda segundo a apuração, além de dominar a atividade garimpeira, o Comando Vermelho teria passado a utilizar o ouro como moeda de troca para financiar outras atividades criminosas, entre elas o tráfico de drogas e de armas em negociações com países vizinhos. Para combater a violência, uma megaoperação coordenada pela Casa Civil do governo federal está em curso desde março. A ação reúne equipes de vários órgãos federais que trabalham em conjunto para desarticular o crime organizado no território.

Até o momento, a PF aponta um prejuízo estimado em mais de R$ 110 milhões para o garimpo ilegal. Foram presas 72 pessoas e apreendidos 153 kg de ouro, além de mais de 42 mil litros de óleo diesel. As forças de segurança também teriam destruído 33 túneis, cerca de 4 toneladas de explosivos, 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 escavadeiras.

A Polícia também cumpriu na última quinta-feira, 25, um mandado de busca e apreensão contra um suspeito acusado de fornecer as máquinas de escavação e os fuzis utilizados pelos traficantes.

De acordo com os responsáveis pela operação, o volume de pessoas e a infraestrutura eram tão robustos que um dos principais pontos de exploração passou a ser chamado de “vila”. Além disso, os criminosos teriam escavado uma complexa rede de túneis, utilizada tanto para apoiar a extração do metal quanto para esconder o armamento pesado e as munições da facção.

A PF afirma também que reuniram registros em vídeo que expõem as tentativas de intimidação por parte dos criminosos, mostrando traficantes exibindo fuzis e escoltando tratores para abrir caminhos na mata. Segundo o delegado da Polícia Federal, Rodrigo Vitorino, a entrada de armas de grosso calibre na reserva está diretamente ligada à chegada dos faccionados, que se valem de esconderijos estratégicos e da densidade da floresta para fugir do cerco policial.

De acordo com o agente do Ibama, Sérgio Suzuki, pode levar centenas de anos para que a flora e a fauna locais se recuperem minimamente. O impacto direto na subsistência foi lamentado por um membro da comunidade local, “arrebentou toda a natureza, acabou. Ficou muito difícil para a gente sobreviver”, disse o indígena, que preferiu não se identificar por motivos de segurança.

O governo de Mato Grosso disse que está construindo uma base policial em um dos acessos da Terra Indígena Sararé para servir de apoio e integração entre as forças estaduais e federais, reforçando que permanece à disposição para colaborar com a União.