Declaração de Kátia Abreu escancara espaço para presença da esquerda na campanha de Vicentinho Júnior
11 outubro 2026 às 16h37

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A declaração de voto da ex-senadora Kátia Abreu (PT) em Vicentinho Júnior (PSDB), publicada pelo portal CT neste sábado, 10, abre uma nova possibilidade política para o segundo turno da eleição ao governo do Tocantins: a presença de uma liderança ligada ao presidente Lula (PT) e da esquerda no campo de apoio ao candidato tucano.
Coordenadora da campanha de reeleição de Lula no estado, Kátia tornou pública sua escolha mesmo diante do apoio de Vicentinho ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
A manifestação tem um componente que vai além da preferência individual. Kátia ocupa uma função na campanha presidencial petista e mantém uma ligação familiar e política com o grupo de Vicentinho. Seu filho, Iratã Abreu (PSDB), foi eleito deputado federal e integra a base do candidato desde o primeiro turno. A aproximação, portanto, já existia antes da declaração da ex-senadora, mas agora ganha uma dimensão pública com a posição assumida por ela. 
Ao justificar o voto, Kátia citou a posição de Vicentinho contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e o fato de o deputado ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro antes do primeiro turno. Na avaliação da ex-senadora, o tucano não alterou sua posição presidencial por conveniência eleitoral. A declaração foi publicada inicialmente pela coluna do jornalista Cleber Toledo. 
O posicionamento ocorre em uma semana de adesões à candidatura de Vicentinho, entre elas a do vice-governador Laurez Moreira (PSD), que disputou o primeiro turno com o apoio do PT. Com a manifestação de Kátia, surge a possibilidade de que o candidato do PSDB passe a contar também com uma interlocutora identificada com a campanha de Lula no Tocantins, apesar das diferenças entre os dois campos na disputa presidencial.
Essa possibilidade, contudo, ainda não representa uma participação formal da ex-senadora na campanha estadual. Não há confirmação de que Kátia assumirá alguma função no grupo de Vicentinho, nem anúncio de adesão institucional do PT à candidatura tucana. A distinção importa porque a ex-senadora permanece responsável pela campanha de Lula no estado, enquanto Vicentinho mantém seu apoio a Flávio Bolsonaro.
A questão agora é saber até onde irá a participação de Kátia no segundo turno. Sua declaração de voto já é pública, o filho integra o grupo político de Vicentinho e sua atuação na campanha presidencial lhe assegura interlocução com setores petistas. Falta saber se a ex-senadora permanecerá apenas na condição de eleitora declarada ou terá presença nos atos políticos do candidato ao governo.
