A derrota nas urnas foi seguida por uma mudança de discurso de dois integrantes do grupo governista no Tocantins. O deputado federal Eli Borges (Republicanos), que recebeu 271.829 votos para o Senado, e o coronel Barbosa, candidato derrotado à Câmara dos Deputados, passaram a apontar falhas dos antigos aliados como explicação para seus resultados eleitorais. Ambos deixaram a base da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) para apoiar Vicentinho Júnior (PSDB).

Eli protagonizou uma troca pública de acusações com o governador Wanderlei Barbosa neste sábado (10). O deputado reclamou de atrasos nos repasses partidários, da falta de apoio dos prefeitos e do tratamento recebido durante a campanha. Wanderlei respondeu com a informação de que o Republicanos destinou mais de R$ 3 milhões à candidatura. As reclamações podem ter fundamento, mas Eli permaneceu no grupo até o primeiro turno e só depois da derrota passou a cobrar publicamente os antigos aliados.

No caso do coronel Barbosa, o desgaste envolve suspeitas de fogo amigo, dificuldades enfrentadas após o indeferimento de sua candidatura pelo TRE e a atuação de pessoas próximas a Wanderlei em campanhas de outros candidatos a deputado federal. Ex-comandante da Polícia Militar e integrante do núcleo político mais próximo do governador durante anos, o coronel esperava maior empenho da estrutura governista em sua eleição. A frustração com o resultado e com o tratamento recebido contribuiu para o afastamento.

O que aproxima Eli e o coronel não é apenas a derrota, mas a decisão de cobrar dos antigos aliados uma conta que também pertence a eles. Ambos conheciam o funcionamento do grupo governista, participaram de sua estrutura política e só depois das urnas tornaram públicas as insatisfações. Agora, Vicentinho recebe dois nomes com histórico e votação, mas também com cobranças que não foram resolvidas no antigo palanque. Eli teve 271 mil votos, mas quantos eleitores acompanharão sua escolha? E o coronel, que não conseguiu conquistar uma cadeira na Câmara, terá qual influência no segundo turno? Entre o peso político que os dois reivindicam e os votos que podem efetivamente transferir, há uma distância que a simples troca de lado não resolve.