A morte da pequena Antonella Cesário da Silva, de apenas 11 anos, ocorrida nesta segunda-feira, 25, provocou comoção e trouxe denúncias sobre o atendimento no Hospital de Pequeno Porte (HPP) de Ponte Alta do Tocantins. Nas redes sociais, moradores, familiares de pacientes e lideranças da cidade passaram a relatar supostos casos de demora em encaminhamentos médicos, falhas no atendimento e episódios que, segundo eles, poderiam ter sido evitados.

A repercussão aumentou após a divulgação de uma publicação feita pela mãe da criança antes da morte da filha. No relato, a vaqueira e moradora da cidade, Claudiane Silva afirma que procurou atendimento no hospital pela manhã com a filha apresentando falta de ar, cansaço e baixa saturação. Segundo a mãe, a criança teria permanecido durante todo o dia em observação e apenas à noite foi solicitado um raio-x, quando teria sido identificada uma pneumonia.

“Não é nota de esclarecimento que vai trazer minha filha de volta”, desabafou a mãe em um áudio divulgado em grupos de mensagens. Ela atribui a morte da filha a uma suposta negligência médica e cobra mudanças no atendimento da unidade.

“Tem que mudar o atendimento dentro desse hospital. Isso aqui em Ponte Alta está um estado de calamidade”, afirmou Claudiane.

Diante da repercussão, a Prefeitura de Ponte Alta do Tocantins divulgou uma nota de pesar e esclarecimento. No comunicado, a gestão municipal lamentou a morte da paciente pediátrica, manifestou solidariedade à família e informou que determinou a abertura de uma averiguação técnica interna para analisar as condutas adotadas no atendimento.

A nota também pede cautela para evitar “conclusões precipitadas” e afirma que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.

Relatos se acumulam

Durante sessão na Câmara Municipal, moradores levaram outros relatos envolvendo pacientes que, segundo eles, teriam enfrentado demora para serem encaminhados a hospitais de referência em Porto Nacional e Palmas.

Na tribuna, a comerciante Catiana Marques de Souza afirmou que o problema não estaria apenas na estrutura física da unidade, mas principalmente na condução dos atendimentos e na dificuldade de transferência de pacientes.

“O hospital está bonito, organizado, tem medicação, ambulância, médico. O problema é não encaminhar os pacientes quando o caso exige”, declarou.

Entre os casos mencionados está o de uma jovem com deficiência física. Segundo o relato apresentado na tribuna, ela teria procurado atendimento inicialmente na segunda-feira e retornado ao hospital na quarta-feira, às 14h. A transferência para Porto Nacional teria ocorrido apenas às 19h40. Depois, ela foi encaminhada para o Hospital Geral de Palmas (HGP), onde ficou internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com quadro de pneumonia.

Outro caso citado foi o de um homem vítima de acidente de moto que, segundo familiares, teria aguardado horas no hospital antes de buscar atendimento por conta própria em Porto Nacional, onde teria sido submetido a cirurgia de urgência após hemorragia interna.

Também foram mencionados relatos antigos, incluindo pacientes com suspeita de infecção generalizada, crianças com lesões graves e pessoas com doenças cardíacas que, conforme os depoimentos, teriam enfrentado demora no encaminhamento para unidades de maior complexidade.

Cobranças por fiscalização

As denúncias também envolvem supostos atrasos de médicos plantonistas e cobranças para que vereadores, prefeitura e Secretaria Municipal de Saúde adotem medidas de fiscalização.

“Se não conseguem tratar aqui, encaminhem os pacientes”, afirmou a moradora durante discurso na Câmara.

Além das críticas, moradores pediram a criação de uma casa de apoio em Palmas para acolher famílias de pacientes transferidos para tratamento fora do município.

Prefeitura abriu averiguação

Na nota divulgada pela prefeitura, a gestão afirma que o município mantém compromisso com uma assistência “humanizada, ética e transparente” e que a investigação interna irá analisar detalhadamente as condutas adotadas no atendimento da criança.

O documento é assinado pelo prefeito Kedson Machado Alves e pela secretária municipal de Saúde, Ellen Mara Rodrigues Aires.

Até o momento, não houve divulgação oficial sobre eventual afastamento de profissionais, conclusão da apuração ou posicionamento individual dos médicos citados nos relatos feitos pela população.

Está marcada para esta quinta-feira, 28, às 19 horas, uma audiência com os vereadores e o prefeito para discutir os casos em questão.