Desaparecimento de Laura Vitória completa uma década sem respostas e Cedeca leva denúncia à ONU
18 março 2026 às 17h07

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O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) Glória de Ivone denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU) o desaparecimento de Laura Vitória, criança que tinha nove anos quando sumiu no dia 9 de janeiro de 2016, em Palmas. A comunicação internacional que foi encaminhada aponta falhas na condução das investigações ao longo de uma década. O texto ainda aponta que a família enfrentou dificuldades no acesso a informações e ausência de apoio por parte do poder público.
Após uma década sem conclusão na investigação, o Centro e a família da criança cobraram investigação aprofundada. Em junho de 2025, o procedimento relacionado ao caso acabou sendo arquivado sob o argumento de que não havia novos elementos para dar continuidade às investigações. Além disso, a denúncia enviada à ONU busca responsabilizar o governo estadual e federal pela falta de respostas.
Mônica Brito, secretária executiva do Cedeca Glória de Ivone disse que o caso da Laura teve diversas falhas estruturais desde o início. “A investigação demorou para começar e passou por sucessivas mudanças de delegacia, sem que o caso avançasse. Também houve longos períodos de inércia, com registros de mais de 500 dias sem diligências. Dez anos depois, o Estado não foi capaz de dizer o que aconteceu com Laura Vitória”, diz.
Denúncia
Segundo o Cedeca, a ausência de respostas há mais de dez anos evidencia dificuldades estruturais graves na investigação de desaparecimentos de crianças e adolescentes no Tocantins. A organização afirma que casos como o de Laura Vitória não podem ser encerrados sem que haja esclarecimentos sobre o que aconteceu.
“O caso de Laura Vitória deixa claro que o desaparecimento de crianças no Tocantins e também no Brasil não é prioridade, especialmente com pessoas negras e em regiões fora dos grandes centros. Não podemos permitir que esses casos sejam esquecidos. É muito importante garantir respostas às famílias e fortalecer políticas públicas para que outras crianças não tenham o mesmo destino”, afirma Mônica Brito.
Histórico do Cedeca no caso
Nos primeiros meses após o desaparecimento, representantes do Cedeca chegaram a participar das buscas antes mesmo da atuação efetiva das forças de segurança, diante da demora na resposta inicial do Estado. Nos anos seguintes, o Cedeca continuou encaminhando ofícios e pedidos de informação ao Ministério Público e às autoridades responsáveis, cobrando avanços nas investigações.
Entre junho e outubro de 2020, a organização cobrou novamente respostas com novos documentos e ações institucionais. No mesmo período, também promoveu mobilizações para dar visibilidade ao caso, incluindo uma transmissão ao vivo, que teve repercussão na imprensa e ajudou a manter o desaparecimento de Laura Vitória em evidência.
O Cedeca também cobrou do Governo do Tocantins a implementação efetiva da Lei nº 3.524/2019, conhecida como Lei do Alerta de Desaparecimento, que prevê mecanismos para ampliar e agilizar a divulgação de informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos. A organização buscou apoio de instituições e parlamentares para fortalecer o debate sobre o desaparecimento de crianças no estado, incluindo contatos com a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa e com a Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente.
Desde 2021, representantes do Cedeca realizam visitas e prestam apoio à avó materna da criança, oferecendo acompanhamento social e jurídico. De acordo com o Centro, a família enfrentou dificuldades para acessar informações sobre o andamento das investigações, além de lidar com a ausência de acompanhamento adequado por parte do poder público diante das consequências sociais e emocionais do desaparecimento.
