A definição da suplência de Carlos Gaguim (União Brasil) retirou do caminho uma articulação que vinha sendo construída havia meses e que atingia diretamente a candidatura de Eli Borges (Republicanos) ao Senado. A advogada Dalide Corrêa, ligada ao pastor Amarildo Martins e tratada até os últimos dias como nome encaminhado para a chapa de Gaguim, ficou fora da composição.

A movimentação tinha peso maior do que a escolha de uma suplente. Ao incorporar Dalide, Gaguim aproximaria de sua candidatura o grupo político e religioso comandado por Amarildo, presidente da Convenção Estadual das Assembleias de Deus Ministério de Madureira e pai do deputado federal Filipe Martins (PL). Era uma forma de disputar diretamente com Eli uma parcela importante do eleitorado evangélico.

Nos últimos meses, Gaguim manteve conversas com Amarildo e sinalizou que uma das suplências ficaria sob influência do pastor. Dalide, advogada e sócia do Grupo Monte Sião, passou a ser o nome mais citado para ocupar a vaga. Na reta final, porém, a composição encontrou resistência dentro da própria base governista.

O ponto central da disputa era Eli Borges. Homologado pelo Republicanos como candidato ao Senado na quarta-feira, 5, Eli resistiu às pressões para deixar a corrida e manteve o apoio do governador Wanderlei Barbosa, presidente estadual do partido e principal aliado da senadora Dorinha Seabra na construção de sua candidatura ao governo.

A permanência de Eli tornou politicamente mais difícil uma composição de Gaguim com o grupo de Amarildo. Na prática, seriam duas candidaturas ao Senado dentro do mesmo campo governista em disputa direta por lideranças e votos de um segmento religioso com forte presença eleitoral no Tocantins.

Gaguim, por pressão dos caciques da base de Dorinha, acabou escolhendo outro caminho para a suplência. Dalide e Amarildo. O resultado deixa uma questão aberta na composição das forças políticas que cercam a eleição ao Senado: qual será o destino do grupo comandado pelo pastor.

Uma das possibilidades discutidas entre aliados é uma aproximação com Vicentinho Júnior (PSDB). A hipótese ganha espaço depois do desfecho da suplência de Gaguim e teria como consequência retirar uma liderança evangélica de peso do entorno da candidatura de Dorinha.

A decisão também envolve outro cálculo. Filipe Martins, filho de Amarildo, disputa a reeleição para deputado federal pelo PL, partido do senador Eduardo Gomes, candidato a novo mandato e integrante do campo político de Dorinha. Uma mudança de palanque do pastor exigiria acomodar a campanha do próprio filho em uma eleição na qual as alianças para governador, senador e deputado federal não caminham necessariamente juntas.

O caminho de Filipe deve ser uma aposta maior na presença de Flávio Bolsonaro em sua campanha, sendo ele o candidato federal do presidenciável do PL no Tocantins.

A disputa entre Gaguim e Eli, portanto, produziu um problema que ultrapassa as duas candidaturas ao Senado. Eli permaneceu na corrida com a proteção política de Wanderlei, Gaguim não conseguiu fechar a composição que vinha sendo negociada com o grupo de Amarildo e uma das principais lideranças evangélicas do estado chega ao início da campanha sem ter definido publicamente em qual palanque estará.