Censo inédito mapeia 335 pessoas da comunidade cigana em Palmas
07 agosto 2026 às 13h13

COMPARTILHAR
A Prefeitura de Palmas identificou 335 pessoas pertencentes aos povos ciganos no primeiro Censo Participativo dos Povos Ciganos realizado na Capital. O levantamento, apresentado nesta quinta-feira, 6, reuniu informações sobre a presença da comunidade, perfil etário e demandas sociais que devem subsidiar a criação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas ao segmento.
Do total de pessoas mapeadas, 132 são crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, enquanto 203 são adultos com 18 anos ou mais. O levantamento considerou moradores e pessoas que permanecem de forma recorrente em Palmas.
A pesquisa foi coordenada pela Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Palmas (Seirdh), em parceria com o Instituto Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais do Tocantins (Ines-PCTS/TO) e a Associação dos Povos Ciganos da Etnia Kalon de Palmas Tocantins (Acek-Patins).
Além dos dados quantitativos, o censo também reúne informações qualitativas sobre escolaridade, trabalho, renda e distribuição territorial da comunidade cigana na Capital. A proposta é oferecer um diagnóstico que permita ao poder público conhecer a realidade dessa população e planejar ações específicas.
Segundo a Prefeitura, o levantamento representa uma etapa inicial para ampliar a articulação entre diferentes áreas da administração municipal, como saúde, educação e assistência social, além de possibilitar a busca por programas e recursos voltados à promoção da igualdade racial.
O secretário da Seirdh, Joelson Soares, afirmou que os dados serão utilizados para fortalecer a participação do Município em iniciativas nacionais de promoção da igualdade racial. “Finalizada essa fase, nós agora estamos preocupados em seguir cumprindo metas e qualificando o Município junto ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), junto ao Ministério da Igualdade Racial e também a programas viabilizados pelo Selo Unicef”, disse.
Para a presidente da Acek-Patins, Ana Cléia, o levantamento ajuda a romper com a invisibilidade histórica da comunidade cigana. Segundo ela, a ausência de dados dificultava o reconhecimento das demandas do grupo. “Ter números é essencial para desenvolver e efetivar políticas públicas. Esse é um primeiro passo, mas é um passo gigantesco”, afirmou.
O censo também foi destacado como uma iniciativa pioneira pelos representantes da comunidade. O assessor da Seirdh e integrante da etnia Kalon, Johny Sá, afirmou que Palmas é a primeira capital brasileira a realizar um censo participativo com os povos ciganos. Entre as demandas apontadas estão ações relacionadas a acesso à educação, moradia, valorização cultural e ampliação de oportunidades.
