El Niño deve reduzir chuvas e aumentar calor no Tocantins até 2027, aponta boletim federal
30 junho 2026 às 17h03

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O primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta terça-feira, 30, por órgãos federais, confirma a instalação do fenômeno climático e aponta que o Tocantins está entre os estados que podem enfrentar redução das chuvas, temperaturas acima da média e maior risco de queimadas nos próximos meses.
Produzido em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Serviço Geológico do Brasil (SGB) e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), o boletim indica mais de 90% de probabilidade de permanência do El Niño até, pelo menos, o início de 2027, com possibilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão.
Para o trimestre entre julho e setembro de 2026, a previsão é de chuvas abaixo da média em grande parte do centro-norte do Brasil, região onde está o Tocantins, além de temperaturas acima do padrão climatológico.
Segundo o documento, a combinação entre estiagem e calor aumenta o potencial para incêndios florestais e pode agravar a deficiência hídrica no estado.
Na agricultura, o boletim aponta que, embora a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar no Centro-Oeste possa ser favorecida pelas condições climáticas, o aumento das temperaturas tende a prejudicar as pastagens, reduzir a disponibilidade de água para a pecuária e dificultar a preparação da próxima safra.
O relatório também destaca que o oeste do Tocantins já apresentava, em maio, áreas classificadas com seca moderada e severa, conforme o Índice Integrado de Seca (IIS-3), elaborado pelo Cemaden. A persistência do El Niño pode agravar esse cenário ao longo do segundo semestre.
Na área de recursos hídricos, o boletim informa que a bacia do rio Tocantins está entre as consideradas prioritárias para monitoramento devido à sensibilidade às alterações provocadas pelo fenômeno.
Diante das previsões, os órgãos federais reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas e recomendam que estados e municípios mantenham ações preventivas para reduzir os impactos da estiagem, das queimadas e de outros eventos extremos associados ao El Niño.
