Em evento com Dorinha, pastor Amarildo faz oração por André Mendonça e pede “coragem” a ministro do STF
08 setembro 2026 às 16h33

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O pastor Amarildo Martins fez uma oração pública pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na segunda-feira, 7, durante o encerramento do CIBE-TO Unificado, na Praça dos Girassóis, em Palmas. Com a presença da candidata ao governo do Tocantins, Dorinha Seabra (União Brasil), o religioso pediu proteção, sabedoria e “coragem” ao magistrado, a quem chamou de “testemunha fiel”.
O vídeo foi publicado nesta terça-feira, 8, pelo deputado federal Filipe Martins (PL), filho de Amarildo e candidato à reeleição. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Mendonça recebeu demonstrações públicas de apoio em atos da direita no 7 de Setembro, num período de confronto com o ministro Alexandre de Moraes no Supremo.
Antes de iniciar a oração, Amarildo pediu que o público levantasse a mão direita e anunciou um “clamor” pelo ministro.
“E nós vamos fazer um clamor a Deus pela vida do pastor André Mendonça. Nós vamos fazer um clamor aqui. Vamos pedir a proteção de Deus”, disse.
Na oração, Amarildo relacionou a presença de cristãos a diferentes espaços de poder. Citou câmaras municipais, prefeituras, assembleias legislativas, Câmara dos Deputados, Senado e governos e afirmou que Deus teria colocado “testemunhas” nessas instituições.
“O Senhor tem colocado as suas testemunhas em todos os lugares desta nação. Tem colocado na Câmara de Vereadores, nas prefeituras, tem colocado nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, nos governos, em todos os lugares, nunca lhe faltou testemunha”, afirmou.
Ao falar de Mendonça, o pastor o apresentou como uma dessas figuras. “E agora o Senhor tem colocado uma testemunha fiel no meio daquela situação que nós estamos vivendo hoje no Brasil”, declarou.
Amarildo pediu proteção, sabedoria, discernimento e coragem para o ministro e associou sua atuação no Supremo à representação da fé cristã.
“Que o Senhor dê graça, que o Senhor dê palavra, que o Senhor dê unção, que o Senhor dê sabedoria, que o Senhor dê os dons da ciência, do discernimento, a coragem para que aquele homem possa representar o seu reino aqui nesta terra”, disse.
O pastor também pediu que Mendonça fosse uma referência no país. “Faça, ó Deus, aquela luz ali brilhar, faça, ó Deus, que aquilo ali seja um farol, para que as pessoas possam olhar e ver que ainda há jeito para o Brasil, ainda há condição para o Brasil, não está tudo perdido”, afirmou.
“Com ousadia podemos dizer essas palavras: o Brasil é do Senhor Jesus”, completou.
Apoio a Mendonça chega aos atos de 7 de Setembro
A oração de Amarildo em Palmas ocorreu no mesmo dia em que Mendonça foi citado nas manifestações políticas do 7 de Setembro. Na Avenida Paulista, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) exibiram mensagens de apoio ao ministro e fizeram críticas a Alexandre de Moraes.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também aderiu à defesa de Mendonça e anunciou a distribuição de camisetas com referência ao ministro.
Mendonça tem ligação anterior com o campo político e religioso que hoje se mobiliza em sua defesa. Pastor presbiteriano, foi advogado-geral da União e ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Em 2021, foi indicado pelo então presidente para o STF depois de Bolsonaro afirmar que escolheria para a Corte um ministro “terrivelmente evangélico”.
A mobilização também chegou às igrejas. A Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, da qual Mendonça é reverendo, retirou da internet vídeos com pregações do ministro. Segundo a instituição, trechos dos sermões estavam sendo usados fora de contexto e associados à atuação dele no Supremo.
Confronto com Moraes passa pelo caso Master
A atual mobilização em defesa de Mendonça ocorre após uma sequência de episódios que colocou o ministro em confronto com Alexandre de Moraes. Parte central da divergência está nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Relator das investigações, Mendonça retirou do sigilo, no dia 1º, um relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O material contém diálogos e referências a Moraes. Mendonça defendeu que o plenário do Supremo analisasse a possibilidade de investigação do colega. Moraes havia negado ter mantido conversas com Vorcaro.
Dois dias depois, Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Segundo Moraes, o colega teria direcionado investigações por razões pessoais e políticas.
A Procuradoria-Geral da República também contestou parte das medidas tomadas por Mendonça. O procurador-geral Paulo Gonet sustentou que o ministro não poderia determinar o aprofundamento de uma apuração sobre Moraes sem autorização do plenário do STF e pediu a anulação dessa parte da investigação.
Nesta terça-feira, 8, o confronto teve um novo episódio. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão está relacionada a relatórios de inteligência usados no caso e acrescentou um novo capítulo à crise que envolve integrantes do Supremo e a cúpula da PF.
A oração de Amarildo ocorreu, portanto, durante o período de confronto entre os ministros, embora o pastor não tenha citado Moraes nominalmente no trecho divulgado por Filipe Martins. Ao falar sobre Mendonça, pediu proteção e “coragem” e o definiu como uma “testemunha fiel” diante da “situação que nós estamos vivendo hoje no Brasil”.
