Lito Sousa revela medo de deixar o filho após diagnóstico de doença rara: “Eu não tenho medo de morrer”
26 agosto 2026 às 15h47

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O piloto e influenciador Lito Sousa divulgou nesta quarta-feira, 26, um vídeo gravado no dia em que recebeu o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara, degenerativa e sem cura conhecida. Na gravação, feita antes da divulgação pública do diagnóstico, ele falou sobre a possibilidade de morrer, a trajetória que construiu e revelou que o maior receio é a saudade que o filho poderá sentir.
“Eu não tenho medo de morrer. Não tenho. Porque eu vivi uma vida boa, uma vida que eu nunca fiz mal para ninguém”, afirmou Lito.
O influenciador, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, disse que está tranquilo diante da situação, mas se emocionou ao falar sobre o filho de 7 anos.
“Eu queria ter muito mais tempo com ele. Eu queria tomar muita caneta dele, que ele joga bola me dando caneta. Mas eu não sei como que eu falo para ele que eu vou virar estrelinha”, disse.
Lito afirmou que o momento que mais o sensibiliza é imaginar a ausência e a reação do filho. “Eu não sei a saudade que ele vai sentir. Quando eu ligo para ele, ele sempre atende: ‘Oi, papai’. Isso é que me dá um pouquinho de medo só”, contou.
Vídeo foi gravado após diagnóstico
Segundo a esposa de Lito, Mila Seidl, o registro foi feito logo após a confirmação da doença porque ele queria deixar sua mensagem enquanto ainda tinha condições de se expressar.
“Eu quis gravar esse vídeo enquanto eu ainda tenho cognição, porque eu não sei quanto tempo. Pode ser semanas, pode ser meses, não sei”, afirmou o piloto.
Apesar do diagnóstico, Lito demonstrou esperança e destacou que mantém a fé ao lado da ciência.
“Vocês sabem que eu sou um homem de ciência, mas eu também sou um homem de muita fé e a gente nunca sabe o que pode acontecer. Milagres ocorrem”, declarou.
“Eu tive uma vida maravilhosa”
Durante o depoimento, Lito fez um balanço da própria trajetória e afirmou se sentir realizado com as escolhas que fez. Ele destacou a parceria da esposa, Mila, e afirmou que muitos projetos só foram possíveis porque teve o apoio dela.
“Tudo que eu falei para essa mulher aqui: ‘vamos fazer’, e ela veio me apoiar, e deu certo. Tudo que ela falou: ‘vamos fazer isso’, e eu apoiei, e deu certo”, disse.
Ele também relembrou momentos marcantes da carreira na aviação, como sua primeira viagem internacional, para o antigo Zaire, na África, experiência que, segundo ele, ajudou a formar o profissional que se tornou.
“Eu tinha que conhecer aquilo. Eu tive que conhecer o Zaire, a África, para me tornar o homem que eu me tornei, o técnico que eu me tornei”, afirmou.
Lito também falou sobre os amigos que conquistou ao longo da trajetória na internet, lembrando o início do canal e a relação construída com seguidores antes da fama.
Ele citou o grupo de amigos chamado “Companheiros”, formado a partir de um antigo fórum de aviação, e destacou a importância dessas amizades.
“Eu tinha 1.500 seguidores no YouTube e eu tratava vocês com respeito. E hoje eu tenho 3 milhões e 600 e eu não mudei absolutamente nada”, relembrou.
Segundo ele, seu objetivo sempre foi compartilhar conhecimento sobre aviação. “Eu sou o que eu sou, eu fui o que eu fui, sou o que eu sou. Só procurei compartilhar informação. Tem milhares de horas de vídeos gravados aí.”
Família busca tratamento experimental
Após a confirmação do diagnóstico, a família de Lito busca alternativas de tratamento experimental para tentar ampliar as possibilidades de atendimento.
Uma das opções avaliadas era o medicamento ION717, da empresa Ionis Pharmaceuticals, mas a companhia informou que o estudo deixou de recrutar novos participantes. Outra possibilidade envolve o estudo PRiSM, conduzido pelo Broad Institute, ligado à Universidade Harvard e ao MIT, que está em fase inicial de testes em humanos.
A família também procurou apoio de autoridades brasileiras para tentar viabilizar acesso a terapias experimentais.
Ao encerrar o vídeo, Lito voltou a falar sobre gratidão pela vida que teve.
“Eu tive a vida mais maravilhosa que alguém pode ter. Até na hora de receber uma notícia ruim, eu pensei: ‘Caramba, eu ainda tenho minha cognição, ainda posso me despedir das pessoas’”, afirmou.
