Estudo estima salário digno entre R$ 2,2 mil e R$ 2,3 mil no Tocantins com base em metodologia internacional
03 julho 2026 às 14h20

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O Tocantins passou a contar com estimativas próprias de salário digno e renda digna elaboradas com base na Metodologia Anker®, utilizada internacionalmente para calcular o custo necessário para que trabalhadores e suas famílias tenham acesso a uma vida básica, porém considerada decente. O levantamento integra o estado ao conjunto de territórios brasileiros contemplados por esse tipo de cálculo.
O relatório foi elaborado pelo Anker Research Institute (ARI), em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), por meio da iniciativa Salário Digno Brasil. A proposta do projeto é produzir estimativas territorializadas sobre remuneração adequada no país, com o objetivo de subsidiar debates públicos, políticas públicas, negociações coletivas, estratégias empresariais e compromissos relacionados à sustentabilidade social.
No Tocantins, o estudo utiliza a divisão do estado em mesorregiões adotada pelo IBGE. Na região Ocidental, onde vivem aproximadamente 60% da população e que reúne municípios como Araguaína, Gurupi e Colinas do Tocantins, o salário digno foi estimado em R$ 2.234. Já na região Oriental, onde está localizada Palmas, a estimativa é de R$ 2.298.
A renda digna calculada para uma família composta por quatro pessoas também apresenta pequena diferença entre as duas regiões. Na mesorregião Ocidental, o valor estimado é de R$ 3.392 mensais. Na Oriental, a estimativa chega a R$ 3.488. Os dados têm como referência o mês de junho de 2025.
Os cálculos levam em consideração despesas essenciais para uma vida digna, entre elas alimentação saudável e nutritiva, moradia adequada, transporte, saúde, educação, vestuário, outras necessidades básicas e uma reserva para despesas imprevistas. De acordo com a metodologia, as estimativas são baseadas nos custos reais de vida de cada território, diferentemente de indicadores construídos a partir de médias nacionais ou de linhas de pobreza.
Para Ian Prates, diretor da Iniciativa ARI-Cebrap, a inclusão do Tocantins amplia a disponibilidade de informações sobre remuneração e custo de vida no estado. “O Tocantins agora passa a contar com uma referência territorializada de salário digno e renda digna. Isso é muito importante porque o estado não pode ser analisado pela ótica de uma média nacional. O que o estudo mostra é que viver com dignidade tem um custo concreto e mensurável. Ter esse dado é o primeiro passo para um debate mais sério sobre remuneração, desenvolvimento e redução de desigualdades”, afirma o diretor.
O estudo não apresenta uma estimativa exclusiva para Palmas, que está inserida na mesorregião Oriental. Segundo Prates, essa definição decorre da amostra utilizada pelo IBGE e da metodologia adotada para o cálculo do custo de vida. “O custo de vida pode parecer muito mais alto em Palmas do que nas outras regiões do estado para as classes médias e altas. Mas, quando olhamos quanto custa o básico, embora decente, essa diferença é muito menor”.
Ian também afirma que a finalidade das estimativas não é substituir negociações salariais ou políticas públicas já existentes, mas fornecer uma referência técnica para orientar decisões.
“O salário digno não é apenas um número. Ele ajuda a responder uma pergunta fundamental: qual o mínimo uma família precisa ganhar, em determinado local, para viver com dignidade? Quando esse dado passa a existir para o estado do Tocantins, as empresas, o governo estadual e os municipais, trabalhadores e sociedade civil ganham uma base comum para discutir remuneração, desenvolvimento produtivo, combate à pobreza e redução de desigualdades”, destaca.
Tocantins integra levantamento nacional sobre salário digno
O Brasil foi selecionado como país-piloto do programa de estimativas subnacionais do ARI devido às diferenças regionais existentes e à disponibilidade de bases de dados que permitem análises territoriais. Em parceria com o Cebrap, o instituto já elaborou estimativas para diferentes localidades brasileiras, incluindo os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Santa Catarina, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão e Piauí.
No Tocantins, a elaboração das estimativas contou com apoio da EDP South America. O relatório completo está disponível no site do Anker Research Institute.
