Estudo identifica seis novas espécies de moscas em áreas da Amazônia, incluindo região de divisa com o Tocantins
02 setembro 2026 às 08h27

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Uma nova espécie de mosca foi identificada por pesquisadores a partir de um exemplar coletado durante uma expedição realizada em 2016 na região do Cantão, área localizada na divisa entre Tocantins, Pará e Mato Grosso. O espécime deu origem à Dexosarcophaga akamai, uma das seis novas espécies do gênero descritas em estudo publicado neste ano.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). O trabalho foi publicado em julho na revista internacional Journal of Medical Entomology e também apresenta novos registros de outras seis espécies de Dexosarcophaga na Amazônia brasileira.
O exemplar relacionado ao Cantão foi coletado durante uma expedição liderada pelo pesquisador Alberto Akama, do Museu Paraense Emílio Goeldi. Em homenagem ao cientista, os pesquisadores deram à nova espécie o nome Dexosarcophaga akamai. Depois da coleta, o material permaneceu por dez anos na coleção entomológica do Museu Goeldi, em Belém, até ser analisado e formalmente descrito.
A região do Cantão, no oeste do Tocantins, é conhecida pela presença de diferentes ambientes naturais e pela proximidade com os estados do Pará e Mato Grosso. A coleta realizada durante a expedição passou a integrar uma pesquisa que contribui para o conhecimento da diversidade de insetos encontrada nessa área da Amazônia.
As moscas do gênero Dexosarcophaga são estudadas também por sua relação com a decomposição de matéria orgânica animal, característica que faz com que tenham importância em pesquisas de entomologia forense. De maneira geral, as moscas também participam de processos ecológicos como a decomposição, a polinização e a alimentação de outros animais.
A identificação da nova espécie foi feita principalmente por meio da análise morfológica. Os pesquisadores avaliaram características dos exemplares e deram atenção especial à estrutura da genitália masculina, que apresenta diferenças utilizadas para separar espécies dentro do mesmo gênero.
O estudo também chama atenção para o tempo que materiais científicos podem permanecer armazenados antes de serem identificados. No caso de D. akamai, foram dez anos entre a coleta realizada na região do Cantão e a descrição formal da espécie. As seis novas espécies analisadas na pesquisa estavam preservadas em coleções entomológicas brasileiras havia períodos entre dez e 36 anos.
Segundo os pesquisadores, a situação está relacionada à complexidade do trabalho de taxonomia e à quantidade ainda limitada de especialistas dedicados à identificação e descrição de espécies. O material coletado em expedições pode permanecer preservado até que seja submetido a estudos detalhados.
Além de Dexosarcophaga akamai, foram descritas D. gorayebi, D. ducke, D. mamiraua, D. ribeirinha e D. harin. Cada uma recebeu uma denominação relacionada a pesquisadores, localidades ou pessoas ligadas à trajetória dos cientistas responsáveis pelo trabalho.
