A operação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraudes no atendimento de saúde indígena no Tocantins tem como um dos principais alvos o ex-coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins (Dsei-TO), Haratumá Warasi Maurerri Javaé, conhecido como Hará Javaé. As investigações apontam possíveis desvios de recursos públicos, fraudes administrativas e falsificação de documentos que teriam comprometido o acesso de indígenas a serviços básicos de saúde em aldeias do estado.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Palmas e em Bonfinópolis, Goiás, por determinação da 4ª Vara da Justiça Federal. Entre os contratos investigados estão acordos firmados com empresas responsáveis pelo transporte de pacientes indígenas.

Hará ocupava o cargo desde 2023, após indicação do movimento indígena, mas foi exonerado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, há cerca de duas semanas e Magayve Xôhxô Krahô assumiu o cargo. A saída ocorreu após lideranças indígenas de diferentes etnias do Tocantins apresentarem pedidos de afastamento diante de denúncias acumuladas nos últimos dois anos, em meio à uma sequência de reclamações sobre falhas no atendimento nas aldeias.

Relatos de lideranças indígenas afirmam haver mortes relacionadas à falta de assistência médica, falta de veículos para transporte e também falta de medicamentos. Os investigados poderão responder por peculato, fraude em licitação, falsidade ideológica e associação criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 28 anos de prisão em caso de condenação.

A defesa do ex-coordenador informou à imprensa que ainda não teve acesso integral aos autos, mas afirmou confiar na inocência do cliente e declarou que ele está colaborando com as investigações. O Ministério da Saúde também foi procurado, mas não havia se manifestado até a última atualização do caso.

*Com informações da TV Anhanguera e TV Globo