Grupo de WhatsApp era usado por Daniel Vorcaro para orientar fraudes em documentos do BRB, aponta PF
26 maio 2026 às 09h50

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A Polícia Federal identificou um grupo de WhatsApp utilizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para orientar a produção de documentos fraudulentos relacionados a operações financeiras do Banco de Brasília. Segundo as investigações, o grupo chamado “Info BRB” era usado para ajustar comprovantes de valores bilionários ligados a carteiras de créditos consideradas imprestáveis.
De acordo com a apuração revelada pelo jornal Correio Braziliense e confirmada por investigadores da Polícia Federal, Vorcaro acompanhava diretamente a elaboração dos documentos apresentados ao Banco Central. Em uma das mensagens obtidas pela investigação, ele reclama de divergências nos valores de uma operação atribuída à empresa Tirreno.
“Pessoal. Saldo não pode ser 6.400!!! Era 7.200. Valor da recompra”, escreveu o banqueiro no grupo, em referência, segundo a PF, a cifras de R$ 6,4 bilhões e R$ 7,2 bilhões.
Os investigadores suspeitam que a Tirreno tenha sido usada como empresa de fachada para operações envolvendo títulos considerados “podres”, posteriormente comprados pelo BRB em negociações ligadas ao Banco Master. A Polícia Federal afirma que os documentos teriam sido manipulados para mascarar o real valor das operações financeiras e enganar órgãos de controle.
As conversas também envolveriam Alberto Félix, então superintendente de tesouraria do Banco Master, e Ângelo Silva, diretor financeiro da instituição antes da liquidação da empresa pelo Banco Central.
Segundo o relatório parcial da investigação, houve “manipulação do valor final do extrato relativo ao pagamento da Tirreno pelos créditos originados e posteriormente cedidos ao BRB”. Ainda conforme a PF, os documentos eram registrados em cartório antes de serem usados nas operações.
As suspeitas aumentam a pressão sobre o BRB, que ainda não concluiu o balanço financeiro referente ao exercício de 2025. A instituição já havia prorrogado o prazo de entrega ao Banco Central e agora avalia um novo adiamento.
Reportagem do portal Vero Notícias aponta que a diretoria do banco informou internamente que o balanço “ainda não foi concluído”. O Banco Central cobra esclarecimentos sobre as contas da instituição e sobre o aumento de capital realizado pelo banco público.
O atual presidente do BRB, Nelson de Souza, havia estabelecido o dia 29 de maio como novo prazo para apresentação do relatório financeiro. Caso o documento não seja entregue ou seja considerado insuficiente, o Banco Central poderá adotar medidas de intervenção na instituição financeira.
As investigações também miram a gestão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, especialmente em operações relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master.
