A Justiça de Palmas condenou a 20 anos de prisão o homem acusado de matar o empresário Abnael Paes de Mendonça Júnior, de 41 anos, durante um roubo registrado na loja da vítima, localizada na Avenida Tocantins, em Taquaralto, na região sul da capital.

A sentença foi assinada nesta quarta-feira, 13, pelo juiz Cledson José Dias Nunes, da 2ª Vara Criminal de Palmas, que também determinou a manutenção da prisão preventiva do réu e negou o direito de recorrer em liberdade.

Conhecido como Júnior Mendonça, o empresário era proprietário da rede Lojão Top 20, que possui unidades em Palmas e Porto Nacional e atua na venda de roupas, utensílios domésticos e outros produtos populares. Após a morte, a empresa divulgou uma nota de pesar na qual descreveu o comerciante como um homem trabalhador e querido entre funcionários, clientes e familiares.

Empresário Júnior Mendonça foi morto em loja de Taquaralto | Foto: Reprodução/Instagram Júnior Mendonça

Empresário dormia dentro da loja após sequência de furtos

De acordo com as investigações, o crime aconteceu na madrugada de 17 de dezembro de 2025, quando o acusado invadiu o estabelecimento por volta das 3h com a intenção de furtar mercadorias. Conforme consta no processo, Abnael dormia dentro da própria loja porque a porta de entrada do imóvel, feita de blindex, havia sido danificada anteriormente, situação que levou o empresário a permanecer no local durante as madrugadas para vigiar o comércio e tentar evitar novos furtos.

Ao perceber a presença do invasor dentro da loja, o comerciante tentou impedir a ação criminosa e entrou em luta corporal com o suspeito. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos reunidos durante a investigação mostraram que a vítima chegou a imobilizar o acusado durante a briga, mas acabou atingida por uma facada em uma artéria. Depois do ataque, o empresário caiu na calçada em frente ao estabelecimento e morreu ainda no local.

Na época do crime, o comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, coronel Acácio Pimentel, informou que equipes da corporação foram acionadas após denúncias sobre a presença de uma pessoa ensanguentada na porta da loja. Segundo ele, os policiais encontraram a vítima já sem vida quando chegaram ao endereço.

Tese da defesa rejeitada

Ainda conforme o processo, o acusado fugiu do local em uma bicicleta azul logo após o crime e não chegou a levar produtos da loja. Horas depois, ele foi localizado e preso pela Polícia Militar, apresentando ferimentos provocados durante a luta corporal com o empresário.

Durante a tramitação da ação penal, a defesa sustentou que o réu teria agido em legítima defesa ao afirmar que apenas tentou escapar depois de ser agredido pela vítima. O argumento, no entanto, foi rejeitado pelo juiz, que considerou que o empresário agia para proteger o próprio patrimônio e impedir o crime dentro do estabelecimento.

Na decisão, o magistrado apontou que a ocorrência começou como uma tentativa de furto e evoluiu para um caso de latrocínio, caracterizado como roubo seguido de morte, porque a violência foi utilizada durante a fuga do acusado e resultou na morte do comerciante.

Além da pena de 20 anos de reclusão, o condenado também recebeu sentença de 10 dias-multa. O caso ainda pode ser analisado pelo Tribunal de Justiça por meio de recurso da defesa.