O senador Irajá Abreu (PSD), pré-candidato à reeleição, escolheu um recado político para a publicação feita nesta quarta-feira, 29, em suas redes sociais. “O presidente Lula assina e o senador Irajá entrega”, diz a legenda do vídeo gravado em Araguatins, onde o parlamentar apresenta uma escola de tempo integral construída com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A mensagem recoloca o presidente Lula no centro da comunicação do senador justamente no momento em que a disputa pelo eleitorado identificado com o governo federal passou a ser compartilhada dentro da própria chapa do PSD.

Até a formalização da aliança entre PSD e PT no Tocantins, Irajá era o principal nome da futura chapa majoritária associado ao governo Lula. O cenário mudou quando o PT decidiu indicar o ex-deputado Paulo Mourão para disputar a segunda vaga ao Senado na chapa encabeçada por Laurez Moreira. A partir daquele momento, dois candidatos da mesma aliança passaram a buscar o eleitorado mais identificado com o presidente da República.

Os movimentos seguintes de Irajá deram sinais de que o alinhamento interno não atravessava seu melhor momento. O senador lançou a pré-candidatura de Ivanete Lima ao Senado sem a presença do presidente estadual do PSD, Laurez Moreira, que posteriormente reafirmou Paulo Mourão como o nome da aliança para a segunda vaga. Dias depois, Irajá também não participou do evento em que Laurez anunciou o coronel Silva Neto como pré-candidato a vice-governador, agenda que reuniu o próprio Paulo Mourão e dirigentes do PT.

Nos bastidores, também circulou a informação de que um dos suplentes de Irajá poderá ser o ex-senador Donizeti Nogueira, nome historicamente ligado ao campo da esquerda no Tocantins. Houve ainda a tentativa do senador de alterar a data da convenção do PSD, assunto que acabou sendo conduzido pela direção estadual do partido. Isoladamente, cada episódio pode ter diferentes interpretações. Em sequência, porém, eles revelaram um período de pouca sintonia entre Irajá, Laurez e Paulo Mourão.

É nesse contexto que o vídeo divulgado nesta quarta-feira ganha significado político. Ao destacar uma obra financiada pelo PAC e resumir a mensagem na frase “Lula assina e Irajá entrega”, o senador volta a explorar de forma explícita sua ligação com o presidente da República. A estratégia reforça uma identidade política que, até poucos meses atrás, era praticamente exclusiva dentro da chapa do PSD e que agora passou a ser dividida com Paulo Mourão, candidato do PT ao Senado.

Embora duas vagas estejam em disputa para o Senado nas eleições deste ano, a construção da imagem junto ao eleitorado lulista tende a concentrar uma disputa política específica dentro da própria aliança. Paulo Mourão chega à campanha como o nome oficialmente indicado pelo PT e identificado historicamente com o partido no estado. Irajá, por sua vez, busca reafirmar que também é um aliado de Lula e que participou da entrega de obras viabilizadas pelo governo federal. O vídeo publicado às vésperas das convenções estaduais sinaliza que essa narrativa deverá ocupar espaço relevante durante a campanha.